Dois crimes contra estudantes têm uma estranha ligação

A polícia do Rio descobriu que os doiscrimes que mais chocaram a cidade no ano passado têm em comum mais do que a violência e o fato de as vítimas serem jovensestudantes. Segundo o depoimento de um traficante, a arma de onde partiu o tiro que deixou tetraplégica, em maio, auniversitária Luciana Gonçalves de Novaes, da Estácio de Sá, foi vendida por um integrante da quadrilha que assaltou a estaçãode metrô onde a adolescente Gabriela do Padro Maia Ribeiro foi assassinada, em março.Cleiton Ângelo Cunha, traficante do Morro do Turano, na zona norte do Rio, um dos principais suspeitos de ter atirado emLuciana, afirmou, em depoimento à polícia, que comprou a arma, uma pistola ponto 40, de um homem cujo apelido é Nego.Segundo o delegado Ruchester Barbosa, que investiga o caso Estácio, trata-se do traficante Carlos Eduardo Ramalho, do Morrodo Zinco, também da zona norte, que liderou o assalto à estação do metrô de São Francisco Xavier. Os bandidos do Turano e doZinco são ligados.A perícia já confirmou que foi da pistola que saiu a bala que atingiu a coluna de Luciana, mas não sabe quem apertou o gatilho.Na quinta-feira, Cunha foi submetido a uma acareação com três outros suspeitos ? David de Souza, Thiago de Souza e Eltondos Santos, também traficantes do Turano. Os dois primeiros participaram de um assalto com ele em dezembro, no qual usarama pistola ponto 40. O terceiro é acusado de matar, em junho, o traficante Valério Alves de Oliveira, executado com a mesmaarma.O delegado Barbosa comandou a acareação, que teve duração de 4 horas e meia. Ele disse que foi possível esclarecercontradições nos depoimentos dos quatro. Barbosa informou que Cunha e Santos continuam como os principais suspeitos. Dosquatro, explicou, apenas um não estava no Turano no dia do crime, 5 de maio, e deixou de ser considerado suspeito. Foi doTurano que partiu o tiro. Ele não revelou qual dos traficantes (David de Souza ou Thiago de Souza) está descartado.Barbosa espera agora o laudo da reconstituição do crime, que deve sair na semana que vem, para concluir quem disparou contrao câmpus da Estácio. O exame irá mostrar qual era a posição do atirador.

Agencia Estado,

16 de janeiro de 2004 | 18h23

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