Dois jovens morrem após confronto na favela da Rocinha

Outros dois ficaram feridos; de acordo com Polícia do Rio de Janeiro, rapaz teria atirado por ciúmes de ex-namorada

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2014 | 16h12

RIO - Dois jovens morreram a tiros e outros dois ficaram feridos após um incidente ainda não esclarecido, ocorrido ontem na Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro. De acordo com a Coordenadoria de Polícia Pacificadora, por volta das 7h deste domingo, 21 policiais que estavam na Rua Um foram acionados por Jhonata Risi dos Santos, de 22 anos. 

O jovem tinha um ferimento à bala na perna. Ele contou que estava acompanhado pelo irmão, que marcara um encontro com Rafaela Marinho de Lima, de 25 anos, moradora da favela. O trio teria sido atacado a tiros por um traficante, que também acabaria morto à bala.

Pela versão de Jhonata, ao ver os irmãos com Rafaela, William de Paiva Pereira, de 24, que seria ligado ao tráfico e ex-namorado da jovem, fez disparos na direção dos três. Atingida, a jovem morreu no local. Jhonata e o irmão, que não teve o nome divulgado, conseguiram fugir e estão internados no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, zona sul.

Também baleado, William foi levado para o mesmo hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Ainda não havia, até o fim da tarde de ontem, informações sobre como ele fora baleado. A Divisão de Homicídios da Capital (DH) foi acionada para realizar perícia no local, ouvir testemunhas e apurar as circunstâncias das mortes. Maré. No complexo de favelas da Maré, na zona norte, houve pelo menos três tiroteios no sábado. Bandidos da facção Amigo dos Amigos (ADA) teriam tentado ocupar as favelas controladas pela facção Terceiro Comando Puro (TCP). Desde março, o conjunto de favelas é ocupado pela Força de Pacificação composta por tropas do Exército e da Marinha.

O grupo da ADA teria saído da favela Parque Alegria, no Complexo do Caju, na zona portuária, onde há uma Unidade Polícia Pacificadora (UPP), para tentar retomar o controle da Maré. Há relatos de troca de tiros no Conjunto Esperança, na Vila do Pinheiro e na Vila do João.

Segundo moradores, os traficantes teriam chegado em vans, com armamento pesado e disparando para o alto. O trânsito foi suspenso por alguns instantes na Avenida Brasil e na Linha Vermelha. Seis blindados do Corpo de Fuzileiros Navais foram usados para reforçar o policiamento. Também houve apoio da Polícia Militar e a mobilização de mais homens do Exército. Não há relatos de feridos.

A Festa da Primavera da Escola Municipal Teotônio Vilela, no Conjunto Esperança, foi suspensa por causa dos intensos tiroteios. Quem estava no local precisou se jogar no chão para se proteger, eles precisaram se abrigar nas salas de aula e ficaram horas na unidade. Ontem, até o fim da tarde, não havia registro de incidentes na Maré. Prisão. 

No fim da tarde, desse sábado, o traficante Paulo Castilho Correia Filho, de 24 anos, conhecido como Playboy, foi preso por policiais da UPP Caju. Integrante da ADA e suspeito de ser um dos articuladores da invasão , ele estava em uma moto, na Avenida Brasil, e tentou retornar quando viu uma moto-patrulha. Contra ele havia um mandado de prisão por tráfico de drogas.

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