Dois marronzinhos são agredidos por mês em SP

Sorrindo, a agente de trânsito C. (cuja identidade será preservada), de 45 anos, 21 deles trabalhando na fiscalização das áreas de estacionamento da Zona Azul em São Paulo, conta como muitos motoristas reagem quando são abordados por ela. "Você diz ?boa tarde? e o pessoal já vem xingando", afirma. "Há pessoas que acham que a gente ganha por multa, mas não é nada disso." Há pouco tempo, um policial civil, a caminho de uma videolocadora e que estacionara em cima da calçada, recusou-se a sair do local e torceu seu braço para fazê-la desistir da multa. Ela se defendeu e os dois foram parar na delegacia.Não foi o único caso. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), desde janeiro de 2005 foram registradas 290 ocorrências de crimes praticados contra marronzinhos por pessoas inconformados com autuações - uma média de 8 casos por mês. Em um quarto das ocorrências, diz a CET, houve violência física ou moral - dois casos, em média, por mês. A realidade pode ser ainda pior, pois o levantamento reúne apenas os casos que chegam ao conhecimento da companhia.De acordo com o Sindviários, sindicato dos marronzinhos, pelo menos um caso de agressão a agente por mês foi registrado de janeiro a agosto - todos contra homens. As mulheres foram as principais vítimas de outro crime, a ameaça. "Os agressores não distinguem sexo, e, no caso dos homens, são até mais violentos", diz Alfredo Bocci, diretor de Saúde do Sindviários.A diretoria da CET não quis falar sobre o assunto. Uma nota divulgada por sua Assessoria de Imprensa afirma que "é preocupante a incompreensão pelos munícipes agressores de que os agentes da CET cumprem determinação legal prevista em Lei Federal, que é o Código de Trânsito Brasileiro, e que sua atuação visa ao bem comum de toda a sociedade".Na maioria das vezes, a polícia registra os casos de agressão como crime de desacato - todos os marronzinhos são funcionários públicos -, além de lesão corporal, ameaça, injúria e supressão de documentos, quando o talão de multas é arrancado das mãos do agente.CASOS EXTREMOSA lista de agressões aos marronzinhos inclui casos muito mais graves do que um simples xingamento. No pior deles, em agosto de 2001, o agente Lúcio Formigoni morreu após ser atropelado na Avenida Radial Leste. Ele dirigia uma motocicleta para abrir a faixa reversível da via quando um motorista, na contramão, o atingiu. Em outra ocasião, uma agente sofreu fraturas depois de levar um chute pelas costas de um "munícipe" - termo respeitoso que os marronzinhos utilizam ao se referir aos agressores.

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