Wilton Junior/Estadão
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Dois médicos pedem demissão da UPA do Alemão

Posto de saúde da comunidade foi depredado e ainda não tem previsão para voltar a funcionar

Marcelo Gomes, O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2014 | 13h33

Rio - O secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann, disse que dois médicos pediram demissão da UPA do Alemão por causa da invasão ocorrida na noite desta segunda-feira. Dois enfermeiros, que tentaram impedir a entrada dos invasores, ficaram feridos.

Dohmann disse que a UPA ficará fechada por tempo indeterminado. A secretaria ainda está fazendo levantamento do prejuízo causado, mas ele falou que foram destruídos computadores, aparelhos de televisão, mesas e cadeiras. Ainda segundo o secretário, os pacientes internados na UPA foram transferidos para os Hospitais Souza Aguiar, Getúlio Vargas e Miguel Couto.

Ele também negou que a invasão da unidade tenha ocorrido em protesto por problemas no atendimento do rapaz de 21 anos, baleado durante a manifestação e que foi socorrido na UPA antes de ser transferido para o Hospital Getúlio Vargas. "Foi um ato de vandalismo e cabe à Secretaria de Segurança fazer as investigações. À Secretaria de Saúde cabe recompor a equipe o mais rápido possível", afirmou.

Depredação. O posto de saúde da comunidade, que funcionava em um contêiner de dois andares, foi totalmente depredado e saqueado por cerca de 70 pessoas na segunda-feira, 28.

A invasão ocorreu por volta das 20h30. Há versões diferentes para as razões do ataque à UPA. Uma delas, a de que moradores chegaram ao posto com uma pessoa ferida no tiroteio que, naquele momento, confrontava policiais militares e criminosos. Sem médicos para o atendimento, as pessoas, revoltadas, teriam decidido depredar o posto.

A versão policial é outra: o ataque à UPA (de atendimento emergencial) teria sido ordenado por traficantes vinculados à facção criminosa Comando Vermelho (CV), em represália à repressão ao tráfico de drogas desencadeada há três anos pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio, com a criação da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).

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