Dois meses depois, secretário da Habitação lacra prédio com concreto

Dois meses depois que a Polícia Federal (PF) e a Subprefeitura da Sé fecharam o prostíbulo de luxo W.E., a Secretaria Municipal de Habitação lacrou ontem com blocos de concreto todas as entradas do prédio no qual a casa funcionava. Localizado na Rua Peixoto Gomide, em Cerqueira César, na região central de São Paulo, o W.E. pertencia a um grupo de empresários acusados de tráfico internacional de mulheres e de desviar dinheiro do BNDES.Eram 16 horas quando agentes federais, acompanhados por fiscais municipais e pelo secretário da Habitação de São Paulo, Orlando Almeida Filho, chegaram ao local. Eles receberam uma denúncia de que o prédio continuava a ser utilizado. "Uma empresa explorava a garagem do prédio", afirmou o secretário. O problema é que a garagem permite acesso aos quartos do flat - 52 apartamentos -, que eram usados pelas prostitutas para atender os clientes da casa e para festas dadas pelos donos da W.E., às quais compareciam políticos, policiais e empresários.No dia 5 de abril, por exemplo, o empresário Manuel Fernandes de Bastos Filho, o Maneco, foi surpreendido num telefonema, contando a um amigo que havia feito uma festa com "30 meninas, todas de topless". Maneco continua foragido e está sendo procurado pela PF.Segundo disse o secretário, além da entrada da boate, que funcionava anexa ao prédio do flat, o próprio flat e a garagem foram lacrados pelos fiscais. "Essa era uma medida que já devia ter sido tomada quando a casa foi fechada, lá atrás", afirmou Almeida Filho. O secretário contou que o prédio foi vistoriado e se constatou que ninguém estava morando nos apartamentos - cada prostituta pagava R$ 150 por semana para ocupar um quarto. "Havia apenas dois vigias, que já saíram." Segundo o secretário, a partir de agora, só a Justiça pode autorizar a entrada de pessoas no edifício da W.E.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.