Dois mil deficientes entram na fila para ser gari no Rio

O desemprego e a falta de oportunidade levaram hoje 2.000 deficientes físicos à fila de concurso para gari do Rio de Janeiro. Muitos deles não tem condições de conseguir a vaga. A Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) informou que os candidatos serão submetidos a exame físico e só serão considerados aptos aqueles cujas deficiências forem compatíveis com as atividades de gari. O auxiliar administrativo Jair Vitorino, de 23 anos, que tem atrofia nas duas pernas (na foto), não sabia do teste físico. Desempregado desde dezembro, ele chegou ao sambódromo ? local das inscrições ? arrastando-se sobre um skate. ?Eles não estipularam nada na convocação?, disse. Vitorino já trabalhou como operador de computador e camelô. Nunca teve a carteira de trabalho assinada. Celso Morais, de 51 anos, decidiu fazer a prova para escapar de dois estigmas que dificultam sua colocação profissional: a idade e a poliomielite. ?Esse é o retrato do nosso País. Você não tem o emprego que você quer, mas o que pode obter?, afirmou. Morais chegou a cursar economia. No último concurso para gari somente 300 deficientes se apresentaram. Desde o início da seleção, na segunda-feira, 55.500 pessoas se inscreveram. Hoje, começam a ser atendidos candidatos com iniciais J, K, L, M. Os aprovados farão parte de um banco de dados. O salário de gari chega a R$ 614, com benefícios.

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