Dois motins simultâneos ferem três em prisões no Maranhão

Detidos protestam pela suspensão das visitas de familiares após greve de agentes penitenciários no Estado

Suzana Beckman, do Estadão,

29 Setembro 2007 | 15h15

Dois motins explodiram simultaneamente em penitenciárias de São Luís do Maranhão na manhã deste sábado, 29. O motivo foi a suspensão das visitas dos familiares dos detentos desde que iniciou a greve dos agentes penitenciários e policiais civis. Até o meio-dia, pelo menos três presos haviam sido feridos em confronto com policiais militares e entre detentos.   No complexo penitenciário de Pedrinhas, zona rural de São Luís, o motim iniciou por volta das nove horas da manhã. Os detentos quebraram cadeados e arrancaram os portões das celas. Na ocasião, por causa da greve, apenas quatro agentes penitenciários estavam de serviço. Até a chegada do batalhão de choque da Polícia Militar, foram eles os responsáveis por conter mais de 400 rebeldes.   Com a chegada dos militares, a confusão se acentuou. De dentro dos pavilhões quebrados, os presos respondiam com pedradas aos tiros e bombas de efeito moral jogados pelos policiais. O preso Carlos César Silva Barros, condenado por tráfico, foi baleado no braço esquerdo e trazido até a portaria da penitenciária num carro de mão. Ele e os outros dois presos feridos foi levados ao hospital Clementino Moura, em São Luís.   Interdição   Do lado de fora da penitenciária, as mães e esposas de presos ameaçaram entrar em confronto com os policiais e agentes grevistas. Várias delas chegaram a interditar a rodovia por alguns minutos, usando pedaços de pau e montando uma barricada com pedaços de tijolos.   A lavradora Flávia Souza, 32, que havia viajado durante sete horas para ver o marido, protestava desesperada. "Por favor, alguém faça alguma coisa. Eu quero entrar, tem gente ferida, os presos estão sem água", pediu ela.   Os agentes penitenciários estão em greve desde a última quarta-feira, 26. Eles exigem do governo do Maranhão que as suas gratificações salariais sejam calculadas a partir do salário mínimo previsto em lei, de R$ 380, e não de R$ 303, como acontece atualmente. Até o início desta tarde, a categoria estava reunida a portas fechadas com representantes do governo do Estado.

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