Dois policiais presos negociando para liberar um traficante

Dois policiais, um civil e o outro militar, foram presos hoje em flagrante, quando negociavam o valor da propina que receberiam para liberar um traficante. José Roberto Pinto da Costa, de 29 anos, o Capixaba, que atua nas favelas Nelson Mandela, Manguinhos e vinha tendo suas ligações telefônicas monitoradas pela inteligência da Secretaria de Segurança Pública há 15 dias. Ontem, por volta de meio-dia, a secretaria percebeu que ele estava preso, pois Capixaba pedia a cúmplices que levantassem R$ 100 mil para os policiais que o haviam detido. Na última ligação, o valor havia caído pela metade.Ao rastrear, por satélite, o telefone do traficante, a secretaria descobriu que, após circular pela cidade, ele havia sido levado para a 33.ª Delegacia Policial (Realengo). Acionada, a corregedoria enviou ao local uma equipe liderada pela corregedora Tatiana Losch. Na delegacia, o investigador Carlos Valério da Conceição negou que Capixaba estivesse preso.Tatiana decidiu vistoriar a unidade e encontrou o traficante junto com o cabo PM Neuder Darlen da Silva Maia, do 14.º Batalhão (Bangu).Imediatamente, a corregedora deu voz de prisão aos policiais, autuados por concussão (extorsão praticada por funcionário público). O delegado da 33.ª DP, Carlos Eduardo Pereira Andrade, foi exonerado do cargo.O secretário estadual da Segurança Pública, Anthony Garotinho, apresentou os policiais à imprensa na sede da Chefia de Polícia Civil, no centro. Ele disse que dois outros casos estão sendo monitorados e que muitos outros policiais serão presos. O caso de ontem, para ele, foi flagrado por ?sorte?. O secretário afirmou que a melhoria material da polícia chegou ao limite e que agora resta ?expurgar? os maus policiais. ?Não ficará pedra sobre pedra.? Nas conversas de Capixaba gravadas pela secretaria, o traficante negocia com policiais a liberação de drogas apreendidas durante a operação Pressão Máxima. Segundo Garotinho, os policiais afirmavam estar com dois quilos e meio de açúcar e 13 de café, referindo-se, respectivamente, à maconha e à cocaína.Capixaba chega a reclamar com os policiais que a quantidade era maior e eles afirmam que uma parte da droga teve que ser retida.

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