Dois traficantes são mortos no Morro da Mangueira, diz polícia

Moradores do Morro da Mangueira, na zona norte, acordaram nesta quarta-feira, 12, por volta das 5 horas, ao som da troca de tiros entre 30 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e traficantes locais. Dois supostos traficantes foram mortos no confronto e duas pistolas e uma pequena quantidade de entorpecentes foi apreendida.   Os homens da tropa de elite da polícia fluminense davam apoio a uma operação com 100 homens do 4º Batalhão de Polícia Militar de São Cristóvão para averiguar denúncias sobre um paiol de armas e um laboratório de refino de cocaína, porém nada foi encontrado.   Policiais Militares do 4ºBPM apreenderam um adolescente de 16 anos com 222 trouxinhas de maconha, 15 tabletes de um quilo de maconha cada um, 206 porções de cocaína, 25 pedras de crack e cinco frascos de lança-perfume."Foram uns vinte minutos de tiroteio intenso. Me escondi junto com o meu filho embaixo da cama e esperei duas horas para sair", disse a auxiliar de enfermagem Silvana Lopes. Um tiro atingiu a capa do fuzil de um soldado do Bope, que não ficou ferido. A polícia utilizou três carros blindados na operação. Segundo o Bope, os homens baleados no confronto foram levados para o Hospital Geral de Bonsucesso (zona norte), mas não resistiram aos ferimentos e morreram.   Após a saída do Bope da favela, o clima ficou tenso e policiais do Batalhão de Choque ocuparam os acessos para impedir protestos organizados por traficantes. A operação, que terminou às 8 horas, adiou a entrada de crianças na creche e adiou a coleta de lixo por causa de uma suposta agressão policial contra um gari.   O gari comunitário Gláucio Vilela, de 30 anos, disse que foi agredido por um homem do Bope em uma localidade conhecida como Eucaliptos. " Estávamos descendo a favela com o caminhão e ficamos na frente do caveirão (apelido do carro blindado da PM). Um cara do Bope desceu, me xingou e me deu uma coronhada de fuzil no ombro esquerdo", disse o Gari. O oficial do Bope que coordenou a ação disse desconhecer a denúncia.   O presidente da Associação dos Moradores da Mangueira, José Roque Ferreira, afirmou que pedirá às autoridades estaduais que mudem os horários das operações. "Não sou contra o trabalho da polícia, mas neste horário muitas pessoas estão indo para o trabalho e as crianças estão sendo levadas para as creches. " É melhor que as ações ocorram em outros horários para não oferecer risco à população"opinou Ferreira.

Pedro Dantas, do Estadão,

12 Setembro 2007 | 15h17

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