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Dois tripulantes de navio na costa do Espírito Santo morrem após inalar gás

Outras três pessoas foram internadas após embarcação pedir socorro à Marinha, que realizou resgate com helicóptero. Polícia Federal vai investigar o caso

José Maria Tomazela  , O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2019 | 19h43
Atualizado 18 de julho de 2019 | 20h08

SOROCABA - Dois tripulantes morreram e outros três foram internados depois de inalarem gás tóxico no porão de um navio com bandeira das Ilhas Marshall, que navegava a cerca de 300 quilômetros da costa do Espírito Santo, nesta quinta-feira, 18. Os sobreviventes – dois ucranianos e um russo – foram socorridos por um helicóptero da Marinha do Brasil e levados para a Capitania dos Portos, em Vitória. Eles foram transferidos para hospitais da região e permaneciam internados no fim da tarde.

O navio mercante AP Dubrava havia partido de San Lorenzo, na Argentina, carregado com soja, e navegava com destino a Las Palmas, nas Ilhas Canárias, território da Espanha. O pedido de socorro foi emitido pelo comandante da embarcação, Juan Knego, e retransmitido à Marinha brasileira, após ser captado pela agência marítima Orion Rodos. O capitão informou que os homens tinham inalado gás no porão da embarcação. Ele foi orientado a se aproximar da costa para facilitar o socorro.

Ao abordar a embarcação, a equipe da Marinha constatou que dois tripulantes já estavam mortos. Os outros três, que passavam mal, foram removidos do navio e, após o desembarque na Capitania, dois deles foram levados para um hospital particular da Praia da Costa, em Vila Velha. O outro, um tripulante russo de 50 anos que aparentava desorientação e perda de consciência, foi encaminhado para a unidade Cariacica. Os exames descartaram traumatismo craniano.

Como o acidente aconteceu em alto-mar, em águas territoriais brasileiras, a Polícia Federal vai realizar a perícia no navio para determinar as causas do acidente. A suspeita é de que os tripulantes tenham sido envenenados pelo dióxido de carbono, gás usado no sistema de exaustão e limpeza do navio. Até o início da noite, a nacionalidade dos tripulantes mortos não tinha sido informada.

No fim da tarde, o comandante fez nova solicitação à Marinha solicitando atracação e estadia de três dias para as tratativas junto às autoridades. Às 18h15, o navio atracou no porto de Vitória para recomposição da tripulação, segundo nota divulgada pela Codesa, a autoridade portuária local. Durante os três dias, em que também será realizada a perícia pela PF, o navio permanecerá atracado no berço 101 do Cais Comercial de Vitória.

A empresa responsável pelo AP Dubrava, a croata Atlantska Plovidba, expediu dois comunicados ao mercado, na Bolsa de Valores da Croácia, informando sobre o acidente e as providências tomadas pelo comandante da embarcação.

"A Marinha do Brasil, por meio do Comando do 1° Distrito Naval e da Capitania dos Portos do Espírito Santo (CPES), informa que instaurou Inquérito Administrativo para investigar os motivos que levaram o navio a se aproximar da costa brasileira.“ Conforme a Marinha, a embarcação estava fora da rota e próxima da costa brasileira quando fez o pedido de socorro.

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