Dólares do dossiê foram sacados em Nova Iguaçu

Investigações da Polícia Federal apontam para a empresa Vicatur Câmbio e Turismo, de Nova Iguaçu, no Rio, como a agência de onde saiu a maior parte dos US$ 248,8 mil para compra do dossiê Vedoin. O dinheiro faz parte do montante de R$ 1,75 milhão, apreendido com dois petistas em 15 de setembro passado, num hotel em São Paulo, destinado ao pagamento do dossiê para prejudicar candidaturas do PSDB. O município é administrado pelo prefeito Lindberg Farias, do PT.A primeira suspeita, divulgada por fontes da Polícia Federal, era de que o dinheiro havia sido obtido numa corretora de Duque de Caxias, também na Baixada Fluminense. A Vicatur consta da lista de 30 empresas, autorizadas a operar com câmbio, identificadas pela PF no rastreamento dos dólares.Os dólares usados na compra do dossiê foram adquiridos no exterior pelo Banco Sofisa, de São Paulo, e repassados a corretoras e casas de câmbio, que pulverizaram a distribuição via doleiros e agências de turismo. Emissários do PT usaram uma rede de laranjas para recolher o dinheiro. A Vicatur sofrerá uma devassa na sua contabilidade e seus proprietários serão chamados a se explicar.A empresa tem cadastro sujo no Banco Central, onde foi denunciada pelo Ministério Público do Rio, por operar com um cadastro de pessoas físicas fictícias, ou laranjas. Muitas delas eram pessoas humildes que sequer sabiam que seus nomes eram usados, segundo a denúncia do Ministério Público. A PF vai interrogar também os compradores dos dólares na agência, única autorizada a comercializar moeda estrangeira na região.InvestigaçõesAo circular, o dinheiro americano deixou pistas desde que saiu da Casa da Moeda dos EUA até ser apreendido em poder dos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha, num hotel de São Paulo. Peritos da PF estão cruzando dados bancários e telefônicos para fechar o cerco sobre a origem tanto dos dólares como da soma de R$ 1,16 milhão encontrada com os dois petistas. Relatório parcial da PF aponta que a responsabilidade pela compra do dossiê contra tucanos foi do petista Jorge Lorenzetti, ex-integrante do comitê de campanha à reeleição de Lula. As investigações da PF revelaram que o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, telefonou duas vezes para Lorenzetti, no dia da prisão dos dois petistas com R$ 1,75 milhão.O ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu também trocou telefonemas com Lorenzetti, de acordo com a quebra do sigilo telefônico feita pela Polícia Federal.

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