Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Doleira que ajudou ações da PF reclama de ter sido condenada

Claudine Spiero, doleira

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2011 | 00h00

"Neste País não vale colaborar com a Justiça", diz a doleira Claudine Spiero, inconformada com a condenação que lhe foi imposta pelo juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6.ª Vara Criminal Federal: quatro anos de prisão, convertida em pena restritiva de direitos e prestação de serviços comunitários. "Eu me sinto injustiçada. Não vou mais colaborar. Eu não aguento mais ir na PF. Fui explorada. Quero saber quem já foi condenado por lavagem."

Claudine, de 55 anos, foi alvo da Operação Suíça, que reuniu provas sobre evasão de divisas em nome de clientes de três bancos sediados em Genebra com representação no Brasil. Seus relatos são o pilar de operações da PF.

Inquéritos bem sucedidos tiveram sua marca. Na Satiagraha, suas revelações deram base a ordem judicial para buscas na residência e escritórios de seis envolvidos, entre eles um antigo lobista de empreiteira. Em poder desse alvo, em dezembro de 2008, a PF recolheu uma coleção de pen drives contendo e-mails que citam autoridades com prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal.

O que a deixa tão indignada?

Eu esperava o perdão judicial pelo grau de colaboração. Ou uma pena menor. Vou recorrer. Poucos neste País foram condenados por lavagem. O Ministério Público nem pediu minha condenação por lavagem. Para outros doleiros o máximo é 2 anos e oito meses.

Arrependida?

Muito. Eu vou dizer honestamente. A PF não sabia nada de esquema bancário internacional. Fazem uma orgia jurídica baseada na inteligência da PF. Mas que inteligência é essa? Tem juiz especializado em processos por lavagem que até três anos atrás não sabia nem o que era isso. Não reconheço os crimes a mim imputados, quadrilha, lavagem. O Ministério Público ofereceu acordo, reconheceu plenamente minha colaboração e pediu pena muito mais baixa, só por câmbio ilegal.

O que foi a Operação Suíça?

Havia uma denúncia muito frágil sobre transferências. A operação começou ilegalmente, por interceptação telefônica. Não tinham nenhuma prova. Dei consistência à investigação. Abri o organograma, contei como atuavam, o papel de cada executivo, o tipo de documento que utilizavam.

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