Doméstica, motorista e estudante são professores na BA

Na ânsia de tentar substituir professores grevistas da rede estadual, a Secretaria de Educação da Bahia contratou uma empregada doméstica, um motorista e um estudante secundarista para dar aulas em turmas do ensino médio na rede pública. A denúncia foi feita pela Associação dos Professores Licenciados da Bahia (APLB) e provocou a demissão hoje, pelo governador Otto Alencar (PL), da diretora-administrativa da secretaria, Ana Maria Valença Batista Lins, responsável pelo erro.A contratação de professores substitutos foi determinada por Alencar na semana passada, diante da possibilidade dos alunos da rede pública do Estado perderem o ano letivo, devido à terceira greve promovida nos últimos meses pela APLB, que já completa 21 dias. Para provar que a Secretaria da Educação não trata a área com a seriedade devida, a APLB pediu ao motorista da entidade, Isaac Barreto, à dona de casa Sônia Maria Barbosa de Melo e ao presidente da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas, Marcelo de Brito Silva, se inscreverem como professores substitutos, ganhando salários mensais de R$ 217,80.No ato da inscrição, exigiu-se apenas a carteira de identidade e perguntou-se que matéria o ?professor? gostaria de lecionar. Sônia, que estudou apenas até a 5ª série, escolheu História e foi nomeada professora com carga de 40 horas. O motorista Isaac (que tem completou o ensino médio) pediu para ensinar Matemática e o estudante Marcelo (atualmente no 1º ano do ensino médio), Português.Os três foram aprovados sem qualquer problema, segundo circulares assinadas pela ex-diretora Ana Lins. "Fizemos isso para mostrar como o governo baiano trata a educação", disse o presidente da APLB, Rui Oliveira, anunciando que devido às contratações irregulares, a associação anunciou que entrará com um mandado de segurança contra os atos do governo estadual e pedirá ao Ministério Público uma ação de improbidade administrativa contra a Secretaria Estadual de Educação. Os professores estão acampados há uma semana na Assembléia Legislativa do Estado para exigir abertura de negociação com o governo. Eles reivindicam a aprovação do Plano de Carreira do Magistério.

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