Donativos para SC eram vendidos a R$ 1

Roupas e alimentos foram apreendidos em brechó; produtos eram retirados na prefeitura de Ilhota, cidade atingida pelas cheias de 2008

Júlio Castro, FLORIANÓPOLIS, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

Cerca de 330 mil peças de roupas e várias toneladas de alimentos doadas para os atingidos pelas enchentes em novembro e dezembro do ano passado em Santa Catarina foram apreendidas em um galpão, anexo a um brechó, na cidade de Rio Negrinho, no Planalto Norte do Estado. O empresário e dono do brechó, Ismael Evelson Ratzkob, de 37 anos, foi preso em flagrante. Em depoimento, ele disse à polícia que pegava os produtos em Ilhota, uma das cidades mais atingidas pelo desastre, e levava para um depósito particular. Lá, vendia as peças por até R$ 1. Ratzkob teve a prisão temporária decretada. "Isso nos causa uma grande indignação. São pessoas inescrupulosas se aproveitando das boas intenções de quem doou e da desgraça alheia para proveito próprio. É revoltante. A polícia já abriu inquérito para que se identifiquem os culpados", comentou o secretário de Justiça e Cidadania de Santa Catarina, Justiniano Pedroso. O diretor estadual de Defesa Civil, major Márcio Luz Alves, defende que os culpados sejam punidos exemplarmente. "A polícia tem de saber qualificar esse tipo de crime. Infelizmente, em situações de desastre e caos, a gente não consegue identificar quem é ou não honesto", ponderou o oficial. A Polícia Civil de Rio Negrinho, por meio de inquérito, vai apurar se houve participação de funcionários da prefeitura de Ilhota na liberação das doações. Segundo o delegado da cidade, Procópio Batista Neto, poderá ocorrer o indiciamento de outras pessoas por corrupção, crimes tributáveis e falsidade ideológica. Entre os suspeitos do desvio de donativos estão alguns funcionários públicos. Ratzkob declarou que buscava o material em um galpão da prefeitura de Ilhota, no Vale do Rio Itajaí, onde ocorreram 47 das 135 mortes pelas enchentes no Estado. Foram pelo menos dez viagens feitas com um caminhão para transportar os produtos até Rio Negrinho. Ratzkob acrescentou que o material era liberado pelos próprios funcionários da prefeitura. "Não vejo qualquer problema em revender. É sobra da enchente. Esses alimentos e roupas seriam enterrados ou jogados no lixo", afirmou o acusado, acrescentando que tem documentos que comprovam a origem dos produtos.Em nota oficial, o prefeito de Ilhota, Ademar Felisky, informou que desconhecia o fato até a manhã de ontem e que todas as providências estão sendo tomadas para apurar a denúncia por meio de um inquérito administrativo.

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