Dono da Gol tem a prisão decretada

Nenê Constantino é acusado de mandar matar, em 2001, líder comunitário; empresário está foragido

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

Réu em processo por homicídio, o empresário Nenê Constantino, dono da companhia aérea Gol, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Até o início da noite de ontem, o empresário não tinha sido localizado nos endereços residencial e comercial de Brasília pela Polícia Civil do Distrito Federal. Os advogados de defesa se comprometeram a contatá-lo para negociar uma apresentação espontânea. Se isso não ocorrer, poderá ser solicitado o auxílio da Polícia Civil de São Paulo, onde o empresário supostamente estaria, sob a proteção de alguns amigos. Na ação, Constantino é acusado de ser o mandante do assassinato do líder comunitário Márcio Leonardo de Sousa Brito, executado com três tiros em outubro de 2001. Ele liderava um grupo de cerca de cem pessoas que ocupava o terreno em volta da garagem da Viação Planeta, pertencente ao empresário, na cidade satélite de Taguatinga. A polícia apurou que dois empregados de Constantino - João Alcides Miranda e Vanderlei Batista Silva -, indiciados como coautores, contrataram um pistoleiro goiano, até agora não capturado, para assassinar o líder, como forma de intimidar os demais ocupantes da área. Antes da execução, o empresário teria feito ameaças diretas de morte ao líder comunitário, que sofreu agressões e teve o barraco onde vivia incendiado. Em nota divulgada na ocasião da denúncia, Constantino disse repelir de forma "veemente" o que chamou de "injusta e inverídica acusação". Garantiu também que o inquérito não contém qualquer indício que possa sustentar a acusação e prometeu provar inocência ao longo do processo. Ontem, ele não foi localizado pela reportagem para comentar o decreto de prisão. PODER ECONÔMICOO delegado Luiz Julião Ribeiro, chefe da Divisão de Investigação de Crimes contra a Vida, disse que a prisão tem o objetivo de garantir a instrução do processo, uma vez que Constantino teria usado seu poder econômico e político para ameaçar testemunhas e obstruir provas. "Sua atuação nociva ao trabalho da Justiça e da polícia está fartamente caracterizada." O advogado da família Constantino, Marcelo Bessa, informou que está estudando as medidas possíveis que deverão ser tomadas nas próximas horas ou nos próximos dias. Segundo ele, a família informou que Nenê Constantino estaria hoje fazendo tratamento de saúde, em São Paulo, que já estava agendado há algum tempo. "A partir do momento em que a saúde permitir, ele (Nenê Constantino) vai se apresentar", disse Bessa. COLABOROU ALBERTO KOMATSUFRASESLuiz Julião RibeiroDelegado"Sua atuação nociva ao trabalho da Justiça e da polícia está fartamente caracterizada"Marcelo BessaAdvogado"A partir do momento em que a saúde permitir, ele (Nenê Constantino) vai se apresentar"

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