Dono de hotel preso por receptação

Polícia investigou a quadrilha por seis meses e gravou 600 horas de conversas; empresário nega acusações

Tatiana Fávaro, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

Campinas - O empresário Virgílio Cezar Braz, de 67 anos, foi preso por formação de quadrilha (receptação de carga roubada) e porte ilegal de armas, anteontem em Serra Negra, no interior de São Paulo. Braz é proprietário de hotéis na Grande São Paulo e do Grande Hotel Serra Negra - a 150 quilômetros da capital, um dos empreendimentos turísticos mais conhecidos da região.Segundo o titular da Delegacia de Repressão a Roubos e Extorsões do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), Alberto Pereira Matheus Júnior, a suspeita da polícia é de que Braz inicialmente recebia cargas roubadas para usar nos hotéis - como bebidas, alimentos e produtos de higiene. Depois, teria passado a receber outras mercadorias que poderiam ser revendidas. "Isso inclui até cargas de lentes de contato e computadores", informou o delegado. O empresário, dono de 16 empresas em seu nome e de familiares, negou envolvimento no esquema, em depoimento em São Paulo. Braz foi preso anteontem em seu hotel de luxo, em Serra Negra.Com o empresário, a polícia encontrou um revólver e uma pistola. O advogado do empresário, Cássio Paoletti Júnior, foi procurado pelo Estado ontem, mas não retornou os telefonemas. A quadrilha era investigada havia seis meses. De acordo com o delegado, há ao menos 600 horas de conversas gravadas com autorização do Poder Judiciário. Em outubro, outras sete pessoas foram presas. O presidente da Associação de Hotéis de Serra Negra, Ariel Gaiolli, disse ontem que o caso não deve refletir no turismo local. "Todos os hotéis já têm praticamente 100% de reservas para o fim do ano e algumas até para o carnaval. Não acredito que um caso desses influencie na vinda de turistas. Eu mesmo fui pego de surpresa, nem sabia dessa história. Eu não conhecia o senhor Virgílio pessoalmente, pois ele nunca ia nas reuniões, mandava representantes", disse Gaiolli, A família de Braz foi contactada, mas não respondeu.

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