Fábio Motta/AE
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Dono de restaurante que explodiu culpa distribuidora de gás no Rio

Para delegado, Carlos Rogério do Amaral - que chorou ao chegar à delegacia - tentou diluir culpa

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2011 | 19h30

RIO - O empresário Carlos Rogério do Amaral, dono do restaurante Filé Carioca, que funcionava no centro do Rio e explodiu na última quinta-feira, depôs nesta segunda-feira, 17, à Polícia Civil. Ele culpou a distribuidora de gás SHV pela explosão dos botijões em seu estabelecimento. A explosão matou três pessoas e deixou 17 feridos. Quatro vítimas continuam internadas, três em estado grave.

Segundo o empresário, a SHV fazia manutenção e troca semanal de botijões no restaurante. Na semana passada, a troca ocorreu dois dias antes da tragédia. O empresário disse ter ouvido do chefe de cozinha Severino Antônio, com quem conversou por telefone pouco antes da explosão, que um dos botijões fora encontrado aberto. Severino morreu. Após o acidente, peritos recolheram um botijão vazando.

Segundo o delegado Antônio Bonfim, da 5ª DP (Lapa), o dono do restaurante reafirmou desconhecer que o estabelecimento funcionava com alvará provisório desde sua inauguração, em 2008, e que nunca houve fiscalização no estabelecimento.

Segundo Amaral, um contador foi quem conseguiu renovar por cinco vezes o documento que permitia o funcionamento da casa, mesmo com a proibição do uso de gás no prédio. Um representante comercial da SHV, que preferiu não se identificar, informou que a empresa é apenas uma distribuidora de gás e não monta botijões ou cilindros em estabelecimento comerciais.

"Ele adotou a estratégia de diluir a responsabilidade", avaliou o delegado. Segundo ele, o empresário estava em casa na hora da explosão e por isso não soube esclarecer como ocorreu o acidente, mas afirmou que funcionários costumavam fumar na área reservada aos botijões.

Amaral chegou à 5ª DP (Lapa) chorando, acompanhado por seu advogado, e não falou com a imprensa. Às 19h05, após depor durante três horas e meia, ele deixou a delegacia calado e foi escoltado até o próprio carro por seis policiais civis. O delegado disse que não determinou a escolta, mas ressaltou que o dono do restaurante "tem direitos que não podem ser violados"

Explosão. O acidente ocorreu no início da manhã da última quinta-feira, após um feriado em que o restaurante permaneceu fechado. Segundo a polícia, provavelmente o gás vazou e se acumulou durante todo o dia anterior e, quando os primeiros funcionários chegaram para começar o trabalho na quinta-feira, uma faísca ou um cigarro provocaram a explosão.

No domingo, seis cilindros de gás de 45 kg cada foram retirados dos escombros do restaurante. O material já foi encaminhado à perícia e, segundo a polícia, foi encontrado perto do vestiário dos funcionários.

 

Atualizado às 21h30

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