Dono se gabava de boate nunca ter sido fechada

Prostíbulo cobrava R$ 400 para garota, R$ 600 para casa e R$ 90 de serviço de quarto

Rodrigo Pereira e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 00h00

Os encantos de Vivi balançaram o coração de B., um político da Baixada Santista. Para agradar à moça, pagou o último ano de sua faculdade, a reforma da casa e financiou as viagens que ela fazia para sua cidade natal, Curitiba (PR). Vivi era garota de programa da boate W.E., centro financeiro e de diversões adultas da organização criminosa acusada pela Polícia Federal de traficar mulheres e desviar dinheiro do BNDES.Mesmo com todos os mimos, B. foi rejeitado por Vivi. Seus lamentos foram registrados pela PF, que monitorava o dono do prostíbulo, Manuel Fernandes de Bastos Filho, o Maneco. Este foi questionar a garota por que ela evitava o cliente, prioritário na casa. "Ela disse que gosta de falar com ele, mas na cama tem repulsa", diz Maneco a um assessor do político. Eles combinam, então, arrumar outra garota de programa para encantar B. e "fazer nossa primeira-dama". "Mas tem de ser com cara de baianinha, que é o que ele gosta", diz o assessor.A maior parte das garotas do W.E., segundo apurou a PF em cinco meses, vinha do Sul, como Vivi, do Rio e de Goiás. Os programas partiam de R$ 1.090 - R$ 400 para a garota, R$ 600 para casa e R$ 90 de serviço de quarto. Só de entrada a W.E. cobrava R$ 150. Para trabalhar lá, elas tinham de seguir regras, como a de só deixar a casa depois da 1 hora - ainda assim, com autorização de Maneco. Também poderiam morar em um dos 54 apartamentos da W.E., por R$ 150 semanais. E podiam receber convites dos sócios da boate para trabalhar na Suíça.Maneco se gabava por controlar a única boate de luxo nunca fechada pela Prefeitura ou pela polícia em São Paulo - abria às 18 horas e não tinha hora para fechar. Dizia ter em seu casting capas de revista masculina e atrizes em evidência - alguns programas custavam mais de R$ 10 mil. Outro motivo de orgulho para Maneco era receber na W.E. todo tipo de autoridade. Em 15 de abril, às 21h48, ele ligou para o coronel da PM Wilson de Barros Consani Junior para falar "quem está na VIP aqui". O empresário então sussurra que um secretário de Estado e seu chefe de gabinete estão visitando a casa. "Eles falaram que vinham e nós fechamos a VIP pra eles."

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