Donos de imóveis lucram com reconstituição

Em relação à cotação imobiliária, um apartamento de frente para a janela da qual Isabella Nardoni foi arremessada em 29 de março vale o mesmo que uma cobertura com vista para o mar. Pelo menos hoje, quando haverá a reconstituição do assassinato da menina, no Residencial London, zona norte da capital. Em busca de boas imagens, TVs ofereceram até R$ 15 mil para moradores cederem espaço às câmeras. O negócio ganhou até um "corretor". O estudante João Felipe Gruttola Trovão Marchi, de 16 anos, recebeu oferta de R$ 2 mil para negociar com moradores de seu prédio, o Residencial Versailles, em frente do London. Lá, circulam rumores de que uma das coberturas - à venda - seria alugada por R$ 15 mil, só para hoje. A corretora Maria das Graças Januário, responsável pelo imóvel, não confirma e diz que devolveu as chaves para o proprietário decidir. "O síndico mandou carta aos moradores e corretores dizendo que processará quem sublocar. Depois, ia sobrar para mim." Para barrar esse tipo de negócio, o síndico Anders Oprini de Freitas colocou avisos nos elevadores alertando que é proibido entrar no edifício com jornalistas e equipes de filmagens. Mas o jovem corretor acha que outros negócios aconteceram. "Não vai poder entrar muita gente. E todo mundo vai ter de entrar com os equipamentos escondidos." A escola infantil Império do Saber também alugou suas dependências, embora não divulgue valores. A princípio, o acordo havia sido fechado com uma emissora de TV por R$ 1 mil. Como outras pessoas estavam alugando por mais, os diretores acertaram com outra rede. "É um fim de semana e não haverá alunos. Então, não vejo problemas", diz Rosania Furtado Pimentel, diretora pedagógica da escola.

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