Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Donos de moradias irregulares no Rio são cadastrados para receber bolsa-aluguel

Moradores da Favela Vila Taboinhas, em Vargem Grande, conseguiram adiar por 30 dias reintegração de posse de terreno, que estava marcada para esta terça, 9

Bruno Boghossian, O Estado de S. Paulo

10 Novembro 2010 | 18h56

RIO - Apesar de ainda não ter definido um local de reassentamento para as cerca de 280 famílias que ocupam irregularmente um terreno na zona oeste do Rio, a Prefeitura começou nesta terça-feira, 10, a cadastrar os moradores que receberão R$ 400 por mês de aluguel social para deixar o local. Uma decisão da Justiça havia determinado a desocupação da área na terça-feira, mas os ocupantes protestaram, e a Polícia reagiu lançando bombas de gás lacrimogêneo.

 

Para evitar novo tumulto, policiais patrulharam a Favela Vila Taboinhas, em Vargem Grande, desde o início da manhã. Depois da confusão, a juíza Érica Batista de Castro concedeu mais 30 dias para que os moradores deixem o terreno de 33 mil metros quadrados, que pertence a uma empresa privada. A Secretaria Municipal de Habitação espera reassentar os moradores em até dois meses, em unidades habitacionais do projeto Minha Casa, Minha Vida.

 

Algumas famílias que vivem na Vila Taboinhas ocupam a área há quase cinco anos e dizem não têm para onde ir. A moradora Carmen Lúcia Araújo Ribeiro afirma que o valor do aluguel social da Prefeitura não é suficiente para garantir uma nova casa para sua família na mesma região.

 

"Nós queremos que eles deem um destino certo para as famílias. Eu vivo com mais seis pessoas na minha casa, mas uma quitinete aqui perto custa entre R$ 300 e R$ 500. Como eu vou sobreviver?", questiona. A Secretaria de Habitação informou que o local para onde as famílias serão levadas está sendo definido.

 

O deputado estadual Marcelo Freixo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), acompanha o caso e afirma que a prioridade deve ser reassentar as famílias e evitar novos confrontos.

 

"Não cabe um questionamento sobre a decisão judicial, mas é preciso saber para onde essas pessoas serão levadas. Se elas forem simplesmente expulsas, as chances de elas irem para outro lugar irregular é enorme", diz o parlamentar.

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