Donos de ônibus dão ultimato à Prefeitura

Se a Secretaria Municipal dos Transportes não alterar o edital de concorrência do novo sistema na cidade, os empresários do setor não vão participar da licitação. A advertência foi feita nesta quarta-feira pelo presidente do sindicato patronal, Transurb, Sérgio Pavani. "Não queremos enfrentamento com o poder público nem vamos impugnar a concorrência, mas nos termos em que se encontra o edital não temos condições financeiras de participar."Segundo ele, os empresários terão de investir R$ 2 bilhões em cinco anos com renovação de frota, informatização e manutenção dos terminais e das estações de transferência. "Não temos aporte financeiro suficiente para nos comprometermos com esses investimentos."Pavani destacou que os empresários não são contra a mudança no sistema de transporte, mas que os problemas no edital devem ser equacionados. "Não podemos assumir uma coisa que não vamos cumprir." Os questionamentos sobre o edital foram mandados à Prefeitura, segundo ele. "Os técnicos da SPTrans (São Paulo Transporte) enviaram respostas, mas não esclareceram as dúvidas."Os empresários também não vão assinar um contrato de emergência com a secretaria. "Não aceitamos por menos de um ano, pois em seis meses não podemos nos planejar. Vamos continuar operando sem contrato." Ele nega, porém, que assim as empresas ficariam clandestinas. "Antes do (prefeito) Olavo Setúbal trabalhávamos sem contrato."O secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, não quis comentar as declarações de Pavani e disse que a greve foi caso de polícia. Mas ele garantiu que as empresas que não entregarem propostas ficarão sem contrato. Pavani ressaltou que as empresas de ônibus amargam déficit de R$ 35 milhões por mês. Ele negou que os empresários tenham feito um conluio para que os empregados entrassem em greve. "Deixamos de arrecadar R$ 12 milhões."Os donos de empresas de ônibus se comprometeram, em audiência de mediação com a procuradora Laura Martins Maia de Andrade, a apresentar documentos sobre o recolhimento do Fundo de Garantia e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) dos trabalhadores.Além de representantes do Transurb, participaram do encontro diretores do sindicato dos empregados e da SPTrans. Segundo o diretor jurídico do Sindicato dos Condutores, Geraldo Diniz da Costa, ficou definido que os empresários deverão levar ao Ministério Público do Trabalho os comprovantes."Praticamente 99% das empresas estão irregulares."Durante a audiência, os sindicalistas pediram que a SPTrans só repassasse a remuneração diária (o total obtido de pagamento com passes) às empresas que estivessem em dia com os funcionários. "Se a SPTrans fizesse isso, não haveria mais greves em São Paulo." O representante da Transurb, o diretor jurídico, Antonio Sampaio Amaral, não quis se pronunciar.Os donos da Viação Cidade Tiradentes, que ainda está em greve, teriam até esta quarta-feira para entregar os tíquetes-refeição aos trabalhadores, até a próxima terça para quitar as férias atrasadas e até o dia 12 para acertar os salários. A decisão foi tomada na reunião com a procuradora do trabalho.

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