Dornelles circula bem do interior carioca ao plenário do Senado

Popular senador do PP é alternativa para compor chapa presidencial com o tucano José Serra

Alfredo Junqueira, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2010 | 00h00

Enquanto não oficializa sua decisão de participar ou não da chapa de José Serra, candidato do PSDB à Presidência, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) mantém uma rotina que alterna reuniões políticas, atividades parlamentares e variados compromissos com prefeitos e vereadores do interior do Rio.

O senador não perde uma entrega de ambulância ou uma festa de aniversário de município pequeno. Segundo assessores e aliados, ele cumprimenta correligionários pelo nome mesmo em cidades que pouco frequenta. Reflexo desse tipo de política está no número de homenagens. Dornelles é cidadão honorário de 43 dos 92 municípios do Rio.

Em Brasília, o senador é discreto, mas forte. Integrou o gabinete ou foi aliado de todos os presidentes desde a gestão do general João Figueiredo, quando foi o secretário da Receita Federal. Durante a crise que quase derrubou o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no ano passado, Dornelles foi cotado para assumir o cargo. Atuou nos bastidores e ajudou a barrar os processos por quebra de decoro contra o aliado - de quem foi ministro da Fazenda, em 1985.

Atualmente, ele é o relator dos projetos que propõem reformas nos sistemas financeiro e orçamentário. Também está à frente nos debates sobre o marco regulatório do pré-sal e a polêmica proposta de redistribuição dos royalties do petróleo. Para o senador, a partilha dos poços de petróleo pelo sistema de concessão é um atraso e a proposta original do governo praticamente reestatiza o setor.

Mesmo tendo de gerir o assédio do PSDB e a expectativa do PT, a ansiedade dos diretórios regionais do PP e o acúmulo de funções no Senado, Dornelles encontra tempo para afagar sua base. Na próxima sexta-feira, ele tem encontro com prefeitos em Três Rios - pequeno município, com cerca de 76 mil habitantes, na divisa com Minas Gerais. "As questões macro dão projeção, mas é o micro que dá voto", costuma dizer o senador.

Estratégia. Na avaliação do professor Ricardo Ismael, do departamento de Sociologia e Política da PUC-Rio, a presença no interior e a política de estilo provinciana é mais uma necessidade que um estilo. "Ele não é um político que tem carisma para empolgar milhões. Precisa, portanto, montar essas redes de apoios políticos no Estado para garantir sua permanência no parlamento", avaliou Ismael.

Nascido há 75 anos em Belo Horizonte, o senador é sobrinho do ex-presidente Tancredo Neves. Também tem laços familiares com Getúlio Vargas pelo lado do pai. Formado em Direito e com pós-graduações em tributação internacional, Dornelles foi professor universitário e ocupou diversos cargos técnicos do governo federal nas décadas de 1970 e 1980.

A projeção veio com o tio. Ao ser eleito presidente, Tancredo o convidou para assumir o Ministério da Fazenda -o convite foi mantido por Sarney após a morte do mineiro. Dornelles havia sido seu secretário particular na época em que o tio foi primeiro-ministro, no curto período do parlamentarismo, no início da década de 1960.

"Ele vinha em carreira de estado até 25 anos atrás. Era um funcionário público de excelência, mas desconhecido. Dornelles começa a ter projeção nacional no Ministério da Fazenda e aí começa sua carreira política", explicou Eurico de Lima Figueiredo, coordenador da pós-graduação em ciência política da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Além do Ministério da Fazenda, Dornelles também ocupou as pastas de Indústria e Comércio, no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, e do Trabalho e Emprego, no segundo. Elegeu-se cinco vezes deputado federal e, em 2006, contrariou as previsões de todos os institutos de pesquisa e venceu a ex-deputada federal Jandira Feghali (PC do B) na disputa pelo Senado.

Mandato

Dornelles foi eleito senador pelo Rio em 2006, com 3,3 milhões de votos (45% dos votos

válidos). Se não ficar com a vaga de vice, ele tem cadeira garantida no Senado até 2015.

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