Dos pampas ao glamour dos anos 20

Cantão misturou tecidos e culturas; Printing combinou alfaiataria e festa

Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

15 de janeiro de 2009 | 00h00

Grávida de 4 meses, a top Michelle Alves abriu, com Isabeli Fontana, o desfile da Cantão que, com o tema Tão Longe, Tão Perto, quer celebrar no inverno de 2009 grandes encontros - entre pessoas e culturas. "O tema nos deu liberdade para brincar entre semelhanças e diferenças, como cowboys norte-americanos e os gaúchos dos pampas brasileiros", disse a estilista Yamê Reis. A Cantão harmonizou as cores e estampas características da marca, misturou tecidos, desenhos, colagens e bordados, com referências étnicas da África, Vietnã e tribos indígenas brasileiras. A marca usou muitas franjas e a renda renascença do Nordeste ganhou desenhos tribais. Roxo, vermelho, terracota e azul se misturaram ao branco e ao preto. A grife de Brasília Apoena, que tem no bordado seu carro-chefe, buscou a reinvenção para criar sua coleção, inspirada nas promessas de ano-novo. "Toda virada de ano, as pessoas prometem mudanças. Quisemos traduzir na roupa o espírito de renovação", disse Kátia Ferreira, diretora de estilo. A coleção reinterpreta elementos clássicos da moda. Das mãos das bordadeiras de comunidades carentes de Brasília, as roupas ganham novas texturas e volumes. A estampa clássica de onça surge de um bordado, as bolinhas que de longe lembram poás são pequenas esferas. E o paetê de plástico é substituído por versão de tecido feito à mão. O dia também foi de estreantes. A mineira Printing abriu o quarto dia dos desfiles com uma mistura de vestidos de festa com peças de alfaiataria, num clima anos 20, com chapéus coco e saias justas na altura dos joelhos. As tops vestiram ora ternos com calça saruel ora vestidos de festa. Claudia Simões, a outra novidade desta edição, trouxe o colorido dos azulejos portugueses para alegrar o inverno com tons de laranja, ouro velho e azul cobalto em roupas com cintura alta bem marcada e ombros estruturados. Com cores sóbrias, como preto e marfim, Marcella Virzi trouxe para a passarela o "american sports wear", misturando o masculino com o feminino em tecidos leves e luxuosos - crepe de seda e jacquard de seda pura. Graça Ottoni fechou a noite com um mix de ideias tiradas do baú de sua mãe e de peças encontradas em viagens nos anos 80. Ela trouxe romantismo nas estampas florais, nas transparências das anáguas, punhos e golas, que às vezes pareciam acessórios.

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