Dossiês na web marcam corrida eleitoral no DF

Candidato petista Agnelo Queiroz recorreu ao Ministério da Justiça para pedir investigação sobre uma gravação

, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Radicalizada, a disputa eleitoral no Distrito Federal descambou para a produção de dossiês e filmetes ofensivos postados na internet.

Na última quinta-feira, o candidato petista Agnelo Queiroz bateu às portas do Ministério da Justiça para pedir uma investigação sobre uma gravação em que uma testemunha de uma operação tocada pela Polícia Civil do Distrito Federal aparece recebendo proposta de dinheiro para denunciar o petista.

Segundo a denúncia, o contador Miguel Santos Souza, preso e denunciado pela participação na confecção de notas frias para justificar serviços não prestados ao Programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte, gravou uma conversa comprometedora com um advogado supostamente emissário da campanha de Weslian Roriz (PSC).

Na conversa, foi-lhe oferecido R$ 200 mil para testemunhar que vira Agnelo Queiroz, que comandou o Ministério do Esporte, recebendo dinheiro ilícito, desviado da pasta. Representantes da campanha de Weslian Roriz negam qualquer envolvimento com o advogado.

Paródia. No front cibernético, a campanha de Weslian Roriz foi alvo de vídeos veiculados no Youtube considerados "ofensivos" à candidata ao governo do Distrito Federal.

Um dos vídeos postados no Youtube é uma paródia com a vinheta do programa "A Grande Família", da TV Globo. A música original, de Dudu Nobre, diz: "Essa família é muito unida, e também muito ouriçada. Brigam por qualquer razão, mas acabam pedindo perdão."

No vídeo parodiado, chamado "A Grande Quadrilha", a música ficou assim: "Essa família é corrompida, e também toda enrolada. É chegada em corrupção, tal o pai, lá é tudo fujão. Foge pai, coloca mãe, empurra as filhas, essa gente é uma quadrilha que quer nos sacanear".

Suposto inquérito. O uso de vídeos fazendo paródia, porém, não é único recurso utilizado na campanha do Distrito Federal. Há algumas semanas, passou a circular nos comitês do PSC e do PT um suposto inquérito, de 1985, que apontava a participação de Agnelo Queiroz em um caso de pedofilia na cidade de Aparecida de Goiânia, nos arredores do DF.

A Polícia Civil do Distrito Federal foi acionada e pediu informações à Polícia de Goiás. O laudo pericial produzido pela polícia goiana, segundo documentos apresentados pelos advogados do candidato petista, atestou vários sinais de falsificação no documento, sugerindo uma montagem que poderia repercutir eleitoralmente.

De acordo com os documentos, os policiais que assinaram em 1985 o boletim de ocorrência não existem e o inquérito foi digitado e impresso pelo computador. Há 25 anos, no entanto, os documentos eram manuscritos ou datilografados.

De acordo com a última pesquisa Datafolha, o candidato do PT Agnelo Queiroz tem 53% dos votos válidos contra 35% da candidata do PSC Weslian Roriz.

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