REUTERS/Toby Melville
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Doze anos depois, família de Jean Charles lamenta impunidade

Jovem foi morto a tiros quando ia para o trabalho, em Londres; família foi à Justiça, mas não houve punição

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2017 | 23h21

Há 12 anos, o brasileiro Jean Charles de Menezes, que tinha 27 anos à época, foi morto a tiros pela polícia de Londres ao ser confundido com um terrorista no metrô. A prima de Jean Charles, a supervisora de limpeza Patrícia Armani, de 43 anos, jamais esqueceu o dia 22 de julho de 2005.

“Foi muito difícil. Entrei em choque, não parava de chorar e não dormia”, lembra ela, que morava com o eletricista no sul de Londres, na época do crime. “Ele nos ajudou, convivíamos juntos, (éramos) uma família.”

A casa foi vigiada naquela madrugada por agentes que suspeitavam que um dos autores de uma tentativa de atentado terrorista, no dia anterior, morasse no local. Quando o brasileiro saiu pela manhã para ir ao trabalho, foi seguido pelos policiais à paisana.

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Pelo aspecto físico do eletricista, moreno e de olhos escuros, os agentes o associaram a um acusado de terrorismo. Jean Charles chegou à Estação Stockwell e, ao entrar em um dos vagões, foi atingido por sete tiros na cabeça e um no ombro.

O caso chocou. A família, de Minas Gerais, se mobilizou para punir os responsáveis, o que não ocorreu. Em 2016, a Corte europeia rejeitou recurso para que os agentes envolvidos fossem julgados. E, em fevereiro deste ano, Cressida Dick, chefe da operação que levou à morte do brasileiro, foi nomeada para comandar a polícia londrina.

“É revoltante e dá um sentimento de impotência muito grande. O que fica é a saudade e a sensação de impunidade”, afirma Patrícia.

Tanto tempo depois, o medo ainda persiste. “Sempre tememos. Estamos em uma época incerta, de ataques terroristas frequentes”, conta a prima, que ainda mora em Londres.

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