DP finaliza inquérito com indiciamento de tia e prima

As duas são acusadas de praticar torturas que provocaram morte da menina de 4 anos

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

01 Julho 2009 | 00h00

A 36ª Delegacia de Polícia de Santa Cruz, no Rio, concluiu o inquérito sobre a morte da menina austríaca Sophie Zanger, de 4 anos, ocorrida dia 19. A tia e a prima da criança foram indiciadas por tortura que resultou em morte com base na Lei 9.455 de 1997. O inquérito foi enviado para a Promotoria da 1ª Vara Criminal do Fórum Regional de Santa Cruz, que decidirá se pede a prisão de Geovana dos Santos, de 42 anos, e da filha dela, Lílian dos Santos, de 21, que tomavam conta da vítima e do irmão dela, R., de 12 anos. As duas mulheres negam as acusações. Sophie deu entrada em coma, no dia 12, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Cruz com um ferimento na cabeça. Ao examinar a criança, os médicos viram o corpo cheio de hematomas. Lílian, que a levou para o hospital com uma vizinha, informou que a menina havia caído no banheiro e que os ferimentos foram causados pelo irmão da vítima. Sophie morreu uma semana depois no Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, após passar por outros hospitais. O inquérito traz dezenas de depoimentos com denúncias de vizinhos sobre maus-tratos contra os dois irmãos austríacos, relatos dos médicos sobre o estado do corpo da vítima e os depoimentos dos parentes de Sophie. Os médicos e legistas que atenderam a criança afirmaram que "dificilmente" o hematoma subdural (na membrana mais externa do cérebro) foi provocado por um tombo no banheiro. Em seu depoimento, a pediatra Ana Beatriz Moreira, que atendeu Sophie na UPA de Santa Cruz, afirma que o ferimento é compatível com acidente de carro ou queda de grande altura. O perito legista Marcelo de Godoy, que atendeu a menina no Hospital Getúlio Vargas, relatou aos policiais que as lesões nos membros inferiores e superiores de Sophie são compatíveis com arrastamentos e traumas provocados por pauladas. O laudo do Instituto Médico-Legal apontou que os hematomas foram feitos em dias diferentes. A polícia acredita que a vítima foi agredida por três semanas antes de morrer. Sophie e o irmão foram trazidos ao Brasil em janeiro de 2008 pela mãe, Maristela dos Santos, de 40 anos, sem a autorização do ex-marido, o austríaco Sasha Zanger. Eles passaram a morar com Geovana, que expulsou Maristela de casa em dezembro do ano passado. Geovana obteve na Justiça a guarda provisória das crianças até a morte de Sophie.

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