Drama de família refém em Campinas completa 30 horas

O drama da família da atendente Mara Sílvia de Souza, 29 anos, feita refém com seus dois filhos, Thiago e Vitor, 7 e 9 anos, dentro de uma casa no Jardim Novo Campos Elíseos, periferia de Campinas, completou 30 horas, às 18h30 desta quarta-feira, 25. Especialistas da Polícia Militar ainda não conseguiram avançar nas negociações com o homem armado que invadiu a residência. O suspeito entrou na casa após assalto na loja Fênix Games, em uma galeria comercial na rua paralela à da residência de Mara. Outro homem está foragido. O major da PM Luciano Casagrande disse, no fim da tarde desta quarta, que a polícia deixou de trabalhar com a possibilidade de o suspeito se chamar Felipe - como havia sido reconhecido por alguns vizinhos um dos dois supostos assaltantes - e passa a trabalhar com o nome Ivanildo, com passagem pela polícia por tráfico de drogas, formação de quadrilha e roubo. Segundo Casagrande, a estratégia da polícia continua sendo vencer o suposto seqüestrador pelo cansaço. Até as 18 horas desta quarta, o rapaz fez quatro contatos com negociadores do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) durante o dia. Em dois deles, reforçou pedido de um veículo para fugir e a condição de sair da casa armado e com pelo menos um refém. A PM negou as solicitações. Família acompanha a tensão Segundo informou a pedagoga Jussara Amorim, 27 anos, prima de Mara, embora os moradores tenham sentido cheiro forte de gás perto da casa durante a madrugada, pela manhã a família certificou-se que Mara e as crianças passavam bem. O major Casagrande informou que o homem chegou a ameaçar as vítimas de morte, mas "a situação foi controlada e depois disso ele se apresentava mais calmo com a família do que com a polícia". Segundo informou Casagrande, Mara teria se oferecido, no penúltimo contato, feito às 13h30, para sair como única refém em troca da liberdade dos filhos. "Entendemos a preocupação da mãe, mas essa postura fortalece as exigências do criminoso", afirmou Casagrande. Às 17h30, o homem chamado pela polícia de Felipe iniciou mais uma tentativa de negociação que durou dez minutos, sem sucesso. Na noite da terça-feira, a polícia cortou a energia elétrica da casa e a água e causou irritação no homem que mantinha a família num quarto da construção com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, segundo a família. O fornecimento de água foi restabelecido durante o dia. Negociações entre PM e assaltante A polícia não cedeu, porém, ao pedido de cigarros feito pelo homem armado às 11h45. "Queríamos um refém em troca. Ele não aceitou, então não cedemos." As negociações, feitas desde as 22 horas de terça-feira pelo Gate, praticamente não avançaram durante todo o dia. O padre Nelson Ferreira, da Pastoral Carcerária de Campinas, e a advogada Tereza Doro, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na cidade ofereceram ajuda em defesa do suspeito. Ferreira, 46 anos, disse conhecer Felipe, que pode ser o segundo suspeito, foragido. O pároco conversou com negociadores e se propôs a sair da casa no carro da polícia, com o homem que mantém a família refém. A presidente da OAB informou que orientaria o rapaz e o acompanharia até a delegacia. "Depois disso, a OAB designará alguém para defendê-lo", disse Tereza. A polícia, entretanto, não repassou as informações ao suposto seqüestrador. "Vamos esperar ele pedir esse tipo de ajuda para termos como negociar", afirmou Casagrande. Enquanto tentavam convencer o suspeito a entregar a mãe e as duas crianças, Murilo, 4 anos, o caçula da família, até brincou na frente da casa de vizinhos que acolheram familiares. Murilo foi libertado às 16 horas de terça-feira, em troca de um colete à prova de balas. O pai da criança, o vendedor de seguros Isnaldo de Oliveira, 28 anos, chegou à rua Cnêo Pompeu de Camargo no fim da tarde de terça-feira, desnorteado. Acompanhou as negociações ao lado de policiais militares na terça e nesta quarta, mas não falou com a imprensa.

Agencia Estado,

25 Abril 2007 | 19h06

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