Duas crianças do Rio devem receber córneas de João Roberto

Atitude tomada pelos pais do garoto evidencia um problema: a dificuldade de captação de órgãos de crianças

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2008 | 18h26

Um menino e uma menina do Estado do Rio devem receber nos próximos dias as córneas de João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, informou a Secretaria de Estado de Saúde nesta terça-feira, 8. O transplante depende ainda de o tecido ser aprovado na testagem feita pelo Banco de Olhos, para afastar o risco de transmissão de doença infecto-contagiosa. Se tudo estiver certo, a cirurgia tem prazo de 12 dias para ser realizada. Por lei, a identidade dos receptores não pode ser revelada. Veja também:Em velório, pai de João Roberto chama PMs de 'assassinos'PMs que atiraram em garoto são indiciados por homicídio doloso A decisão dos pais de João Roberto de doar os órgãos do menino joga luz para uma questão séria - a dificuldade de captação de órgãos de crianças. No Rio, apenas 10% dos transplantes realizados beneficiam crianças - cerca de 1.500 aguardam na fila por rim, fígado ou córneas. O Estado ainda não tem programa para transplante de coração infantil. "É uma situação muito difícil em função do apego dos pais. Ninguém está preparado para lidar com esse momento, ainda mais quando se trata de crianças. É uma situação extremamente delicada", disse a diretora do Rio Transplante, Ellen Barroso. No caso de João Roberto, a família havia autorizado a doação dos outros órgãos, mas como o menino teve uma parada cardíaca e levou 25 minutos para ser ressuscitado e, depois disso, apresentou pressão arterial muito baixa, os órgãos ficaram comprometidos. A fila de espera por córneas tem cerca de 350 crianças. "Elas podem ter nascido com alguma doença congênita, mas nessa faixa etária é muito comum acidentes que provocam a perfuração da córnea", explicou Ellen.

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