Duas mortes durante briga de policiais em lanchonete

Garota de 18 anos foi atingida por bala perdida; na discussão, tenente baleou investigador, que não resistiu

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

07 Fevereiro 2009 | 00h00

Uma discussão entre dois policiais - um civil e um militar - terminou com a morte de Luana Rodrigues Junqueira, de 18 anos, atingida na cabeça por uma bala perdida na lanchonete da rede Habib?s, na Vila da Penha, zona norte do Rio, por volta das 4h30 de ontem. O inspetor Álvaro Cavalcanti de Souza, de 48 anos, lotado na 59ª Delegacia de Polícia de Duque de Caxias (Baixada Fluminense), morreu com um tiro no peito. O tenente do 16º Batalhão de Polícia Militar de Olaria (zona norte), Diego Luciano de Almeida, de 30 anos, foi ferido por disparos no pé, coxa e perna, mas não corre risco de morrer. Está internado em estado estável no Hospital da PM. De acordo com a polícia, um motivo fútil teria iniciado a briga entre o inspetor e o tenente. Os funcionários da Habib?s contaram que ambos eram clientes da lanchonete, mas nunca haviam sido vistos juntos. Ontem, o policial civil, que era advogado e tenente reformado do Exército, chegou primeiro e depois o PM, oficial há dois anos, entrou na lanchonete acompanhado por duas mulheres. Testemunhas dizem que o inspetor estava alterado e reclamou sobre uma das acompanhantes do tenente, que falava alto. A polícia também investiga uma briga por ciúme. Luana voltava de um baile funk com o namorado, o primo e sua namorada. Segundo a polícia, Luana e os dois rapazes levantaram para ver a confusão e ela foi baleada. As imagens do circuito interno da lanchonete não foram liberadas. "Não sabemos o motivo da briga. Ouvimos os tiros e vi Luana no chão. Ela morreu na hora. O tiro atingiu a têmpora do lado direito", disse Roque Junqueira, de 22 anos, primo da jovem. A polícia apreendeu duas armas calibre ponto 40. As duas pertenciam ao policial civil, que morreu. De acordo com a polícia, apenas o exame de balística provará de onde saiu o disparo que atingiu Luana. Ao sacar a primeira arma, o inspetor foi desarmado pelo PM. O policial civil sacou a segunda arma e atirou contra o tenente, que revidou com a arma do inspetor e atingiu o policial no peito. O policial civil levava R$ 6 mil em espécie. "Causa estranheza esta quantia. As primeiras informações apontam que seria um pagamento a uma empresa de segurança do inspetor", disse o delegado titular da 38ª Delegacia de Polícia de Brás de Pina, Luiz Alberto Andrade, que disse não ter informações sobre processos na corregedoria contra os policiais. Ele indiciará o tenente por homicídio doloso (com intenção de matar). Vinte clientes estavam no local na hora do crime. Amigos dos policiais disseram que ambos eram "esquentados". O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse que os policiais foram "inconsequentes e irresponsáveis". "O sujeito que trabalha na segurança pública precisa ter uma dupla preocupação, mesmo à paisana. Não pode se comportar como um marginal", declarou.

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