Duas paixões: Igreja e Botafogo

''''Ela achava que violência não era empecilho'''', diz colega

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

04 de dezembro de 2007 | 00h00

Contadora aposentada, a professora de catecismo Vitória Lúcia Marques, de 55 anos, morreu a 500 metros de seu prédio, na Rua da Passagem, onde foi metralhada com o padre natural de Palmeiras das Missões (RS) Frank Franciscatto. Eles voltavam de uma missa na Igreja de São Tomé, em Bonsucesso, zona norte do Rio, e eram aguardados na festa de confraternização natalina da Paróquia de Santa Teresinha. Casada e sem filhos, ela lecionava catecismo para crianças havia 20 anos. "Tinha duas paixões: a Igreja e o Botafogo", disse Vera Lúcia Marques de Araújo, irmã da vítima. A mãe de Vitória, Maria Amélia Marques de Araújo, de 77 anos, participou aos prantos do velório. Preocupada com a saúde da mãe, Vitória se mudara para a casa dela nos últimos meses, mas continuava casada. A missa reuniu 200 pessoas, entre alunos, ex-alunos, padres, parentes e fiéis. "Ela era uma pessoa festeira e alto-astral. Achava que a violência não devia ser empecilho para que deixasse de fazer as coisas da igreja", disse a secretária da paróquia, Manoela Miranda, de 35 anos. A ida e a volta da recém-inaugurada Paróquia de São Tomé, em Bonsucesso, bairro que abriga o Complexo do Alemão, foram tranqüilas. A professora, que dizia se proteger contra a violência com um terço no pescoço, foi morta perto de casa e da igreja que freqüentava, na zona sul. Abalado, o marido de Vitória, o advogado Peter Kurrik, não falou com a imprensa.

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