Duas testemunhas mudam depoimento sobre morte de garçom

Duas das quatro testemunhas de acusação que prestaramdepoimento na noite de anteontem ao juiz de Porto Seguro CássioMiranda, não reconheceram os estudantes brasilienses Vitor Araújo, Fernando Von Sperling, Artur Melo, Thiago Manet e Mauro Coelho, além dos menores F.M.R e A . P. M. como os agressores do garçom Nélson Simões dos Santos, morto por espancamento no dia 17 de outubro numa churrascaria da Passarela do Álcool.O garçom Balbino Inácio de Souza que trabalhava no mesmo local da vítima e Rinalva Oliveira que passava próximo à churrascaria no momento da briga disseram ao juiz Miranda que não viram quem espancou até a morte Santos. A versão é oposta à dada no dia do crime na Delegacia de Polícia de Porto Seguro quando os dois disseram à delegada Antonia Valadares terem visto o grupo de estudantes batendo no garçom. Balbinoe Rinalva explicaram ao juiz que assinaram sem ler os depoimentosprestados à delegada. "Não vi briga somente o tumulto", disse Balbino.As outras duas testemunhas ouvidas Clemente de Souza e Bonifácio Pereira Aguiar confirmaram os depoimentos que constam no inquérito policial, de que viram os acusados espancando a vítima. Outras oito testemunhas de acusação serão ouvidas no dia 16 de dezembro. Depois será a vez das nove testemunhas de defesa prestarem depoimento ao juizMiranda.Revoltada com o andamento do caso, a viúva do garçom EronildeSantos disse "ter ouvido" que os advogados dos adolescentes "compraram" duas das nove pessoas arroladas como testemunhas de defesa. Ela não soube dar mais detalhes sobre a acusação que foi negada pelos advogados. Um deles, Fernando Ferreira criticou o inquérito policial elaborado pela delegada Antonia Valadares. "Foi conduzido de forma equivocada, fora dos padrões da polícia baiana; a prova em juízo é completamente diferente do divulgado quando ocorreu o caso", disse. O outro advogado contratado pelas famílias dos estudantes Jonas Fontanele disse que está tentando anular o inquérito policial devido aos "erros primários" que conteria.O garçom Santos teria sido espancado pelos adolescentes depois de pedir que eles se retirassem de uma das mesas da churrascaria pois não estavam consumindo nada. Os estudantes alegam não terem começado a briga que resultou na morte da vítima, mas admitem envolvimento no tumulto. Eles vão permanecer preso da Delegacia de Porto Seguro até o julgamento do caso.

Agencia Estado,

22 de novembro de 2002 | 15h32

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