Duas 'tricoteiras' mortas no acidente da TAM são enterradas

Grupo ficou conhecido por tricotar manta negra contra dívida dos precatórios do governo estadual do RS

Elder Ogliari, do Estadão,

22 Julho 2007 | 12h28

A presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Aposentados e Pensionistas do Rio Grande do Sul (Sinapers), Júlia de Oliveira Camargo, 79 anos, e a associada Nelly Elly Priebe, 82 anos, vítimas do acidente com Airbus da Tam, foram enterradas neste domingo, 22.  Lista de vítimas do acidente do vôo 3054  O local do acidente  Quem são as vítimas do vôo 3054  Histórias das vítimas do acidente da TAM  Galeria de fotos  Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Cronologia da crise aérea  Acidentes em Congonhas  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054   Também estava prevista a chegada do corpo da secretária da entidade, Catilene Maia de Oliveira, 35 anos. As três estavam num grupo de nove pessoas que viajou a São Paulo no vôo 3054 de TAM. Os restos mortais de outras cinco pensionistas e da assessora de imprensa Kátia Escobar ainda não foram identificados.   A morte das aposentadas e pensionistas, todas com idades superiores a 70 anos, chamou a atenção do País para o grupo que ficou conhecido como Tricoteiras dos Precatórios, do qual elas faziam parte. Desde o ano passado, cerca de 20 credoras de direitos já reconhecidos pela Justiça e ainda não pagos pelo governo do Rio Grande do Sul se reuniam diante do Palácio Piratini para tecer uma manta preta. O protesto era silencioso, mas iria mostrar a paciência infinita que os credores do Estado têm que ter para receber seus direitos.   A manta chegou a 200 metros e foi levada a São Paulo, onde seria exibida na quarta-feira, quando o grupo participaria do lançamento do Movimento Nacional Contra o Calote Público na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).   "Minha mãe bolou esse protesto inspirada na paciência de Rapunzel para esperar crescer o cabelo", explicou Carlos Camargo, filho único de Júlia de Oliveira Camargo, 79 anos, durante o velório da mãe, no Cemitério João XXIII, em Porto Alegre. "Ela se tornou conhecida pelo carisma e liderança", comentou, pedindo gentilmente para deixar de falar para poder receber condolências de pelo menos 200 pessoas que foram se despedir da sindicalista.   Além de familiares, aposentados, pensionistas e sindicalistas, também compareceram ao velório companheiros de Júlia na Sociedade Espírita Paz e Amor, na qual ela organizava a coleta de enxoval para grávidas carentes.   "Ela era um ser de luz, tinha grande espiritualidade e de onde estivar vai nos guiar", disse um amigo diante do caixão.   O corpo da pensionista Nelly Elly Priebe, de 82 anos, foi enterrado às 10 horas no Cemitério Parque Jardim São Vicente, em Canoas, sob intensa chuva e acompanhado do filho único, Genésio, parentes, amigos, associados e funcionários do Sinapers.   Na cerimônia de despedida, a amiga Veridiana Gonçalves destacou que como fundadora do sindicato, Nelly ensinou a categoria a lutar por seus direitos. "Ela nos animava com seus brilhantes olhos azuis e cabelos brancos como a neve". A mensagem também lembrou que a aposentada e pensionista era a primeira a chegar e a última a sair das atividades do sindicato e também demonstrava muita disposição para dançar nas festas e para torcer pelo Grêmio. "Ela era muito disposta, dinâmica, alegre e participativa", confirmou o sobrinho Isidoro Bredow, 54 anos.   À tarde, no Crematório Metropolitano São José, em Porto Alegre, foi cremado o corpo de Fabiano Rosito Matos, 30 anos. Familiares e amigos destacaram tanto a trajetória profissional quanto a paixão pelo esporte do jovem solteiro, que morava em São Paulo havia sete anos. Durante a semana, Fabiano dirigia a Areno, empresa de investimentos no mercado de capitais da qual era sócio. Nas horas livres, busca as emoções do surfe no litoral paulista e, quando possível, também na Austrália e Havaí.

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