Dubai é a maior concorrente de SP para Expo 2020

Em 2010, a Exposição de Shangai recebeu 73 milhões de visitantes; São Paulo aposta na diversidade de raças, credos e origens da população

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

23 Novembro 2011 | 23h29

PARIS - Apostando alto na diversidade de raças, credos e origens de sua população, São Paulo lançou ontem em Paris campanha para receber a Exposição Universal de 2020 - o maior evento cultural do mundo. A apresentação foi na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). As concorrentes são Izmir, na Turquia, Ayutthaya, na Tailândia, Ecaterimburgo, na Rússia, e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A seleção da cidade-sede começou ontem, em reunião do Escritório Internacional de Exposições (BIE), e vai se estender até novembro de 2013, quando o comitê vai bater o martelo. O evento é realizado sem periodicidade fixa. Os três próximos destinos serão Yeosu, na Coreia do Sul, em 2012, Milão, na Itália, em 2015, e Liège, na Bélgica, ou Astana, no Cazaquistão, em 2017. Em 2010, a Exposição de Shangai recebeu 73 milhões de visitantes, um recorde no evento inaugurado em 1851 em Londres.

Com antecedência de oito anos, o BIE abriu agora as inscrições para 2020. Primeira a apresentar seu projeto, São Paulo foi representada pelo vice-presidente, Michel Temer, o embaixador do Brasil em Paris, José Maurício Bustani, além do prefeito Gilberto Kassab. A apresentação foi dividida em discursos e dois vídeos, nos quais a delegação apresentou a Expo 2020 como um evento dedicado à diversidade de povos, culturas e continentes. A seguir, apostou forte na ideia de que o Brasil e São Paulo sintetizam essa diversidade. Os filmes reforçaram a imagem de samba e futebol, mas também apresentaram o País como uma terra acolhedora para estrangeiros. No fim, o slogan: “Come to Expo 2020 and become a paulistano” - ou “Venha para a Expo 2020 e se torne um paulistano”.

Em seus discursos, Kassab e Temer não apresentaram orçamento detalhado da candidatura. O projeto paulistano prevê construção do Centro de Convenções e Exposições de Pirituba em uma área de 5 milhões de m² na região norte da capital, já declarada de utilidade pública. Nesse empreendimento, Kassab somou obras de infraestrutura já em fase de execução ou projetadas, como metrô e acessos viários, chegando a um custo de R$ 5 bilhões - R$ 1,5 bilhão para o Estado, R$ 1,5 bilhão para o Município e R$ 2 bilhões captados da União ou iniciativa privada.

Questionado sobre a presença de Temer e a ajuda federal, Kassab afirmou que ter uma Expo em São Paulo é, antes de tudo, tema de interesse do País. “A candidatura é do Brasil. Tanto é que está assinada pela presidente Dilma Rousseff.” Temer aquiesceu. “A exposição internacional do Brasil já é imensa. Imagine com um evento desses?”

Outros dois apelos da candidatura de São Paulo ontem foram o fato de que nunca uma cidade da América do Sul recebeu a exposição universal. Além disso, segundo promotores, a infraestrutura do País já estará aperfeiçoada na época do evento em razão dos investimentos para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Sobre os dois megaeventos, Temer reconheceu que podem ser, “sob certa ótica”, um argumento contrário. “Mas o fato de o Brasil já estar se preparando facilita e ajuda.”

Como a exposição nunca foi realizada no Hemisfério Sul, as chances da capital são, em tese, expressivas, mas será preciso superar pelo menos uma rival de peso. Inundada por petrodólares, Dubai é um verdadeiro oásis no Golfo Pérsico e concentra investimentos bilionários em urbanismo e arquitetura. Na apresentação de ontem, o emirado enviou como representante uma mulher com lenço muçulmano na cabeça. Mas a mensagem cultural foi forte: a representante não tinha nada de submissa. Era ministra de Estado, falava inglês e francês fluentemente e mostrou grande domínio sobre o dinamismo econômico da cidade.

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