Durante ato em sua homenagem, padre Júlio nega acusações

Em tom de desabafo, padre se defende de que teria desviado dinheiro de ONG para pagar achaques

02 de novembro de 2007 | 16h21

Pela primeira vez desde que se envolveu em um escândalo por conta de denúncias de que teria sofrido extorsão de um ex-interno da Febem, o padre Júlio Lancellotti falou, nesta sexta-feira, a um público de aproximadamente 200 pessoas, que saíram da Paróquia São Miguel e caminharam 1 quilômetro até a casa do religioso, na Mooca, zona leste de São Paulo.   Em tom de desabafo, o padre se defendeu de que teria usado dinheiro público repassado a ONGs para pagar as extorsões que teriam sido cometidas por Anderson Marcos Batista e Conceição Eletério, que estão presos. "Tudo isso que está sendo falado, a cada hora de um jeito, eu poderia dizer tudo aquilo que já foi dito. Eu nunca tive acesso às contas da Nossa Senhora do Bom Parto, sou apenas conselheiro. A mesma coisa com a Casa Vida. Conheçam as entidades para ver a honestidade e a seriedade dos trabalhos", disse.   Seguido de aplausos, o padre contou que ele mesmo quem procurou a polícia para denunciar os achaques e que a partir de então, passou a agir de acordo com as coordenadas repassadas pelos policiais. "Eu mesmo busquei a polícia, eu sabia que estava sendo feita a gravação. Se eu desligasse o gravador naquela hora, os peritos viriam contra mim porque eu tinha desligado a gravação. Eu agradeço a todas as autoridades que me ajudaram. Nenhum deles me tratou com desrespeito e desdém", afirmou.   O religioso também refutou as acusações de que manteria um relacionamento homossexual com o ex-interno da Febem. "Quando agora dizem que eu tenho relacionamento com uma dessas pessoas, se eu tivesse por que eu gravaria? Ele poderia dizer em qualquer momento da gravação: 'e o nosso caso. Esqueceu?'. Eu estou dizendo isso para vocês que são meus irmãos, meus amigos, porque para muita gente isso pode não ter crédito nenhum. Os que convivem comigo sabem das minhas limitações, dificuldades. Eu não sou perfeito", desabafou o padre.   Entre as pessoas que participaram do ato em favor do padre Júlio estavam pessoas que foram batizadas por ele, casais cujos casamentos ele celebrou. "Vocês são pessoas que eu respeito muito. Eu queria que ninguém tivesse sofrendo com isso. Eu pediria muito que rezássemos para as pessoas que estão presas. Eu acredito muito que Deus pode tocar o coração das pessoas e o mais simples é que as pessoas possam dizer a verdade. Dizer que aquelas coisas que foram colocadas nas manchetes de jornais não aconteceram", afirmou.   Parte das pessoas presentes também carregava corações de papel com mensagens ao religioso. Quando o grupo chegou à casa do padre, foi recebido por sua mãe, Vilma, de 84 anos, que estava com os olhos marejados. Em seguida, padre Júlio abriu o portão. Ao ouvir o depoimento de um ex-morador de rua que disse ter recebido ajuda do padre e que tinha acabado de entrar na faculdade, o religioso chorou. Os participantes carregavam uma enorme foto do padre e cartazes de apoio e com o endereço do site criado por um grupo de voluntários (www.padrejulio.com.br).

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