Durval acusa deputados de complô e cancela depoimento

Alegando que deputados queriam usá-lo para atrapalhar ação da PF, delator do 'mensalão do DEM' não vai à Câmara

Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2011 | 00h00

Por meio de carta enviada por seus advogados, o delator do "mensalão do DEM", Durval Barbosa, comunicou ao Conselho de Ética da Câmara que desistiu de depor no processo relativo a Jaqueline Roriz (PMN-DF). O depoimento dele estava marcado para quarta-feira. A deputada foi flagrada em vídeo de 2006 recebendo um pacote de dinheiro das mãos do delator.

Barbosa atribui a desistência a um possível complô para constrangê-lo e atrapalhar as investigações da Polícia Federal. Segundo a carta, parlamentares citados por ele de forma direta ou indireta "estariam se mobilizando para, de alguma forma, constranger o colaborador visando, de forma oblíqua, atingir o seio das diligências ainda em curso". A carta não esclarece quem seriam esses parlamentares.

O delator do esquema de corrupção no DF, que ficou conhecido como "mensalão do DEM", destaca ainda que foi aberta uma ação no Supremo Tribunal Federal contra a deputada com base em sua delação e que o conselho teve acesso aos autos. A carta ressalta a força das imagens da deputada recebendo dinheiro. "O vídeo apresentado pelo colaborador, que gerou a instauração de procedimento nesse Conselho de Ética, é autoexplicativo." E conclui que um depoimento seria "desnecessário" e que, por isso, ele declina do convite para depor "terminalmente".

O depoimento vinha sendo negociado nas últimas duas semanas. Barbosa tinha concordado em falar desde que a audiência fosse feita a portas fechadas e na PF. O conselho, porém, negociou com os advogados e anunciou que a oitiva seria feita na Câmara e teria um esquema de segurança para proteger Barbosa.

O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PDT-BA), classificou como "absurda" a justificativa do delator para cancelar o depoimento.

Ele afirmou, porém, que a ausência não compromete a investigação, mas pode atrasar o processo. "Não vai atrapalhar o processo integralmente, o que vai é atrasar porque coisas que ele poderia dizer o relator vai ter que buscar em outro lugar."

Na próxima semana o colegiado deve aprovar um convite para que Manoel Neto, marido de Jaqueline, preste depoimento. Assim como Barbosa, ele não é obrigado a comparecer.

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