Dutra critica proposta de mínimo de R$ 600

Para presidente do PT, promessa seria primeiro passo para desvincular o salário mínimo dos benefícios da Previdência em caso de vitória tucana

Lu Aiko Otta e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2010 | 01h00

A proposta do candidato do PSDB, José Serra, de elevar o salário mínimo a R$ 600 a partir do dia 1.º de janeiro embute uma "mão de gato", segundo avaliou o presidente do PT, José Eduardo Dutra. Ele acredita que, diante do crescimento da conta da Previdência, um eventual governo tucano aproveitaria a deixa para desvincular o salário mínimo dos benefícios previdenciários.

Sonho dos chamados fiscalistas, o fim do salário mínimo como piso da Previdência abriria espaço para elevar o ganho dos trabalhadores sem provocar rombos bilionários nas contas públicas. A proposta, porém, enfrenta resistência de aposentados e sindicalistas. Dos cerca de 27 milhões de beneficiários do INSS, aproximadamente 15 milhões recebem o salário mínimo.

Após as eleições, o governo negociará com as centrais o valor do mínimo e o índice de reajuste das aposentadorias superiores ao piso válidos para 2011. A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defenderá um valor menor do que os R$ 600 prometidos pelo presidenciável José Serra e um reajuste abaixo dos 10% também propostos pelo tucano. "Não vamos nos pautar por uma discussão eleitoreira, oportunista e desesperada", afirmou ao Estado o ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas. "Não vamos entrar num leilão desesperado."

Regra. Os governistas tentam desqualificar a proposta de Serra afirmando que ela representará um aumento elevado seguido por anos de arrocho. "O que estamos propondo tem consistência, tem durabilidade", defendeu Gabas.

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