'É ato de bandidagem', diz o presidente

Para Lula, Receita tem 'muita credibilidade'; caso será investigado também como crime eleitoral

Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2010 | 00h00

Depois de ter chamado de "aloprados" os responsáveis pelo falso dossiê que seria usado por petistas contra candidatos tucanos, entre eles José Serra, nas eleições de 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de "bandidos" os que quebraram o sigilo dos dados da Receita Federal, inclusive de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência.

Na opinião do presidente, é preciso investigar quem cometeu o "ato de bandidagem" de falsificar a assinatura da filha de Serra para bisbilhotar seus dados na Receita Federal. Ele ressaltou que se trata de "crime grave", de "falsidade ideológica".

Mais cedo, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, admitiu que está sendo investigada também a ocorrência de crime eleitoral no vazamento de dados da Receita. Embora ressaltasse que "são várias as linhas de investigação", Barreto afirmou que essa linha também é uma delas.

De acordo com Barreto, "fatos novos" mostraram que a quebra de sigilo poderia ter outra conotação. Questionado sobre que outra conotação seria essa, ele respondeu: "Todas", acrescentando que "agora tem um maior número de pessoas envolvidas".

"Confiável". Com o argumento de que "não falta gente para tentar causar problema em época eleitoral", Lula defendeu a Receita Federal. Segundo ele, a instituição "é confiável". "Se tiver alguém que praticou um dano, uma falsificação, pode ficar certo que virá a público", afirmou.

Para o presidente, é preciso provar "quem falsificou (a assinatura da filha de Serra) e se é falsificada, prender o falsificador porque ele cometeu um crime grave no Brasil, de falsidade ideológica".

"Se tiver alguém que praticou um dano, uma falsificação, pode ficar certo que virá a público", disse. "É importante não precipitar a desconsideração a uma instituição que tem se pautado pela seriedade, pelo sigilo, como se fossem guardiã de todos nós. "

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