E Chico Ferramenta estava mesmo era na farra

Tudo não passou de farra. O prefeito petista desaparecido Chico Ferramenta, da cidade mineira de Ipatinga, não foi seqüestrado ou mesmo assaltado. O caso que mobilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministério da Justiça e a Polícia Federal se revelou um episódio de bebedeira e mulheres. Em nota divulgada à imprensa na tarde desta quinta-feira, Ferramenta pediu desculpas à mulher, a deputada estadual Cecília Ferramenta, e anunciou pedido de licença do cargo por tempo indeterminado. O caso tomou grandes proporções pelo receio de que se tratasse de mais um episódio de crime contra prefeitos petistas, a exemplo de Celso Daniel, prefeito de Santo André, assassinado em janeiro de 2002, e do prefeito de Campinas, o Toninho do PT, morto há dois anos. Ferramenta teria saído a pé de seu apartamento recém-comprado no bairro de Santo Agostinho, na zona sul de Belo Horizonte, às 11h30 de segunda-feira, sozinho, sem documento e com R$ 1.500. Segundo o comerciante Joção Fernandes Martins, ele teria ido ao seu bar e bebido uma garrafa e uma latinha de cerveja. Depois, hospedou-se com nome falso no Hotel Sol Meliá, no centro da cidade, onde teria contratado o serviço de duas prostitutas. Segundo a garota de programa D.M.W., que prestou depoimento à polícia, Ferramenta foi até o prostíbulo no início da tarde de segunda-feira, pediu que comprassem cervejas e pagou pelos serviços de duas mulheres. "Ele já estava embriagado", disse D.M.W. em entrevista ao jornal Estado de Minas. O prefeito pediu refeições no quarto e saiu apenas para utilizar a piscina e a sauna. Na terça-feira, ele teria sido reconhecido por um mensageiro do hotel por causa de uma foto publicada num jornal local que falava de seu desaparecimento. A direção do hotel, então, decidiu informar a direção do PT de Belo Horizonte e membros do partido ficaram encarregados de avisar a mulher do prefeito, que havia prestado queixa à polícia e aguardava notícias no apartamento da família. Agentes do Departamento de Operações Especiais da Polícia Civil de Minas Gerais estiveram no hotel, mas não subiram ao quarto. Ferramenta desceu acompanhado da mulher e deixou o hotel sem falar com os policiais. "O prefeito não seria processado porque o caso foi considerado um problema pessoal", disse o delegado Elson Matos. Constrangimento e boatos de adultério da mulherO episódio causou grande constrangimento aos petistas. Para acompanhar as investigações de perto, o secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, deixou Brasília e desembarcou na quarta-feira em Belo Horizonte, quando Ferramenta foi achado. O deputado estadual Rogério Correa (PT) acredita que o prefeito deve explicações à opinião pública. O petista reconheceu que o episódio foi constrangedor, mas foi "dos males o menor". Já o vereador petista de Ipatinga, Eli Rodrigues, que percorreu os 209 km que separam a cidade da capital mineira quando soube do desaparecimento, considerou o caso "vergonhoso". Chico Ferramenta estava em Belo Horizonte desde sábado, quando participou da solenidade de posse da mulher na Assembléia Legislativa. A imprensa mineira, porém, confidenciou que um dos motivos que levaram à atitude do prefeito teria sido motivado por boatos de que sua mulher estaria mantendo um relacionamento extraconjugal. Além disso, esta não teria sido a primeira vez que Ferramenta passou noites fora de casa e se excedido com a bebida. Mas esta teria sido a primeira vez que demorou mais tempo para voltar para casa, o que causou preocupação dos familiares. Chico Ferramenta foi eleito deputado estadual em 1986 e chegou à Prefeitura de Ipatinga em 1988. Antes de se envolver na política, foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade. Em 1994, foi eleito deputado federal e dois anos depois retornou à prefeitura de Ipatinga. Em 2000, foi reeleito para seu terceiro mandato. Amigo de Lula, Chico Ferramenta alcançou prestígio na região onde estão instaladas grandes indústrias, como a Usiminas, e tornou-se um dos principais líderes mineiros do partido.

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