''É como um maestro que vai reger a orquestra''

ENTREVISTA - Adriano Giovaninni, comandante do Gate, da PM

O Estadao de S.Paulo

22 de setembro de 2008 | 00h00

Conhecido por ter atuado em casos que envolviam longas negociações com reféns, o comandante Adriano Giovaninni conta abaixo detalhes do processo. Como o negociador trabalha?O negociador é como um maestro que vai reger a orquestra. Ninguém negocia uma ocorrência sozinho, principalmente as que demoram. Junto ao negociador existe uma equipe de 4 a 5 policiais.Quem pode ser um negociador?Não é uma atividade que qualquer um possa exercer. Tem de saber um pouco de psicologia, por exemplo. Somos tropa de apoio. Se, de repente, aquele policial que iniciou a negociação, mesmo não tendo conhecimento técnico, criou um vínculo com o causador da crise, não há por que tirá-lo.Quais são os mais difíceis? Os que não têm medo de morrer?Esse é o mais complicado, porque a gente fica sem poder de barganha. Outros são aqueles com problemas mentais, psicopatas. Se ele não está preocupado com a vida dele, o negociador tem de mostrar que está. A gente vai descobrir se tem família, filhos, e jogar isso para ele: ?Você tem a perder, sim.?O que fazer quando não há mais como negociar?Depende do cenário. Se não tiver condições de agir de forma pacífica, vamos usar mais energia, que é a invasão, tiro, defesa pessoal. Essa ação enérgica não quer dizer morte.Matar o bandido, em casos extremos, pode ser considerado legítima defesa?Toda ação letal tem de se basear dentro de requisitos legais. Sempre.

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