É fácil aplaudir o BC quando os juros não sobem

Não é difícil, como fez ontem Marina Silva, elogiar o Banco Central por deixar a taxa de juros inalterada. Difícil será aplaudir o aumento da taxa Selic, que, segundo avaliação quase unânime dos porta-vozes do mercado financeiro, deverá ocorrer em maio, na próxima reunião do Conselho de Política Monetária.

Análise Daniel Bramatti, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

Quando o aumento dos juros vier, será curioso acompanhar a reação dos candidatos, obrigados a enviar sinais não apenas aos eleitores, mas também ao chamado mercado. Dilma Rousseff dará aval a uma medida que tende a esfriar a economia, sob a justificativa de que é preciso conter a inflação? José Serra atacará o BC, correndo o risco de alimentar temores de que a instituição tende a perder autonomia em um eventual governo tucano? Marina continuará dando sinal verde à política monetária? Ciro Gomes dirá o que pensa?

O pior dos cenários - nada improvável - será o do silêncio ou dos comentários vagos a respeito do tema. A falta de clareza no discurso pode até ser um trunfo eleitoral para os candidatos, mas o fato é que estabilidade não combina com incerteza.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.