''É gostoso terminar vendo EUA em crise''

Em viagem ao Ceará e à Bahia, Lula ainda comemora nova pesquisa, dá estocada em FHC e agradece à população por não reeleger o tucano Tasso

Carmen Pompeu e Eliana Lima, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2010 | 00h00

No dia em que a pesquisa CNT/Sensus apontou novo recorde de popularidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um roteiro de despedida pelo Nordeste - a região que sempre lhe deu os maiores índices de aprovação. Tripudiou dos adversários, revelou planos de cair na folia no carnaval baiano e alfinetou os países desenvolvidos.

"Foi gostoso passar pela Presidência e terminar o mandato vendo os Estados Unidos em crise, a Europa em crise, o Japão em crise, quando eles sabiam tudo para resolver o problema da crise brasileira e de países como a Bolívia , a Rússia e o México", declarou o presidente, à noite, em Salvador, após um dia exaustivo, às vésperas do fim do mandato. "Não foi nenhum doutor, nenhum americano, nenhum inglês, foi um torneiro mecânico, pernambucano, presidente do Brasil, que soube como lidar com a crise."

De acordo com a pesquisa divulgada ontem, Lula chega ao final do governo com 87% de aprovação a seu desempenho. O governo como um todo é considerado ótimo ou bom por 83%.

O giro de ontem começou em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza, pela manhã. Ele declarou que, com a atual taxa de aprovação, "só um doido" pensaria em se candidatar novamente a presidente. "Essa performance Deus não dá de presente duas vezes para uma pessoa, não."

Lula afirmou que pretende continuar atuando na política sem ser candidato. "Eu agora tenho que trabalhar para a Dilma ter a mesma sorte que eu tive, de ter a mesma relação com o povo. Ela é uma mulher guerreira."

Previu um cenário positivo para a presidente eleita, Dilma Rousseff. "A Dilminha vai pegar esse país a 120 por hora. Ela parece que gosta de corrida. Vai apertar um pouquinho o acelerador e vamos correr mais rápido, gerar mais emprego, renda."

Referindo-se ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que recentemente criticou Dilma, alfinetou: "Quero ensinar como um ex-presidente tem de se comportar. Vou dar mais essa lição aos palpiteiros, que, quando foram governo, não fizeram e depois acham que sabem muito."

No discurso, Lula afirmou que o Nordeste elegeu "a melhor safra de governadores" da região. "O Nordeste nunca mais voltará a ter a sua imagem apenas mostrada pela miséria, pela desnutrição, pelo analfabetismo."

Referiu-se, na fala, a seu anfitrião no Ceará, o governador reeleito Cid Gomes (PSB). "Agradeço, de coração, a reeleição do Cid, a eleição da Dilma e a eleição dos senadores que vocês elegeram, me fazendo um favor tremendo", disse, fazendo referência indireta à derrota do tucano Tasso Jereissati.

Depois do Ceará, Lula viajou para Salvador, onde se encontrou com o governador Jaques Wagner. Ele disse que escolheu a Bahia para uma solenidade do Programa Minha Casa, Minha Vida, porque "os meios de comunicação vinham dizendo que o governo não conseguiria cumprir a meta". Ele participou de uma videoconferência com Manaus (AM), Canoas (RS) e Campinas (SP), na quais também foram realizadas entregas de unidades do programa.

"Ninguém imaginou que seríamos capazes de fazer o que fizemos. Aqueles que escreveram deveriam pedir desculpas e reescrever que nós fomos capazes", provocou.

O presidente avisou a Wagner que retornará à Bahia no carnaval, para brincar na folia ao menos uma noite. "O Lulinha vai arrasar no carnaval. Vou ser o Lulinha 2011."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.