É isso mesmo,companheiro

Debate entre presidenciáveis de esquerda vira encontro de congraçamento e só Lula é alvo

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

Mão única

Na definição clássica, debate é um confronto acirrado de ideias, uma contenda. Não no debate da esquerda. No encontro promovido em São Paulo pelo semanal Brasil de Fato ontem à noite, entre os candidatos à Presidência Zé Maria (PSTU), Ivan Pinheiro (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO), a frase mais ouvida foi "concordo com o companheiro".

Começaram concordando que a ausência de Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) foi uma afronta. Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) também haviam sido convidadas e não compareceram, mas a mágoa é com Plínio, que tanto criticou a falta de Dilma nos debates televisionados. Todos justificaram sua ausência por problemas de agenda.

"O PSOL é um dos partidos que gostaríamos de ver na frente de esquerda, mas é uma ausência desrespeitosa", resumiu Ivan Pinheiro.

Antes disso, um representante da Liga Bolchevique Internacionalista invocou uma "questão de ordem", pois gostaria de fazer perguntas aos candidatos. Causou um muxoxo na plateia, todos concordando que era inoportuna a intervenção, e voltou cabisbaixo para seu lugar.

Os três esquerdistas se congraçaram nas críticas ao governo Lula. Cutucavam a ferida petista, dizendo que, em vários aspectos, a gestão de Lula foi mais reacionária do que a de Fernando Henrique. "Lula conseguiu assentar menos trabalhadores do que FHC. Isso depois de Lula prometer fazer a reforma agrária com uma canetada", disse Zé Maria.

O debate, cuja transmissão pela internet teve cerca de 2 mil acessos, contou com a participação de jornalistas do exterior. Um mexicano perguntou sobre a política externa do governo.

Ivan Pinheiro admitiu que é difícil explicar à esquerda latino-americana por que os esquerdistas brasileiros fazem oposição a Lula. E os três afirmaram que não estão alinhados com o governo Chávez, da Venezuela. "Nos colocamos na defesa de qualquer país que esteja sob ataque do imperialismo, mas nem sempre eles se amparam nas forças populares", argumentou Rui Pimenta, autor da "denúncia" mais marcante da noite. Para ele, o próximo governo está pronto para privatizar os Correios.

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