'É o núcleo duro da pobreza', diz secretária

Ana Fonseca espera que parcerias com Estados ajudem a garantir renda acima de R$ 70 per capita

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2011 | 00h00

A secretária extraordinária para Superação da Extrema Pobreza do Ministério do Desenvolvimento Social, Ana Fonseca, considerou a população com renda familiar de até R$ 39 mensais por pessoa "o núcleo duro da extrema pobreza", mas destacou que os dados até agora divulgados pelo IBGE levam em conta apenas a renda monetária. Outras formas de renda, como a agricultura de subsistência, não são levadas em consideração nesta fase de divulgação do Censo.

"Quando olhamos a incidência da pobreza por Estado, por municípios, perguntamos: "quais eram as outras manifestações da pobreza?" Isso nos permitiu estabelecer uma meta. A renda foi um instrumento para jogar luz sobre a outra cara da pobreza. Apontamos os domicílios em situação de extrema pobreza que, além da renda, não têm energia elétrica ou água potável ou existem pessoas sem documentos ou analfabetas", diz a secretária.

Ana Fonseca acredita que o reajuste do Bolsa Família, concedido em abril deste ano, já provocará aumento da renda dos extremamente pobres, o que será medido pelas pesquisas domiciliares em 2011, com resultados divulgados em 2012.

Quanto à meta de erradicação da miséria, a secretária diz ter grande expectativa de que parcerias com Estados que começam a fixar limites maiores para a pobreza extrema ajudem a garantir renda familiar acima dos R$ 70 mensais per capita. No Rio de Janeiro, são considerados miseráveis os que têm renda domiciliar per capita de até R$ 100 mensais. "A pactuação com os Estados ainda vai nos dizer muito sobre a renda das famílias no futuro. Estamos preocupados com a renda, mas também muito preocupados com o bem-estar da família. Que tenha acesso a água, luz, que acabe esta história de não ter documento, que tenha capacidade de geração de renda."

Ana lembra que, no fim do ano, serão divulgados dados do questionário mais abrangente do Censo 2010, que foi respondido em 11% dos domicílios. Esses resultados permitirão analisar todas as fontes de renda dos brasileiros.

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