''É para lavar a alma'', diz PM

Foram 741 dias na prisão, acusado de um crime do qual acabou inocentado pela Justiça, por falta de provas. Durante o período de cárcere, nasceu seu terceiro filho, e a primeira mulher o abandonou. Quatorze anos depois de ser solto, o soldado policial militar Fernando Gomes de Araújo, de 49 anos, que foi preso sob acusação de participar da chacina de Vigário Geral, em 1993, diz que ainda carrega o "rótulo" de assassino. A indenização de R$ 100 mil, que ele ganhou em última instância, serve "para lavar a alma". "Nesses dois anos preso, minha vida ficou toda atrapalhada. Eu fui tratado como marginal, como um assassino. Foi muito difícil. Ainda estou tentando retomar a minha vida, mas não é fácil também. Querendo ou não você é discriminado porque as pessoas sempre ficam em dúvida se você realmente é inocente ou não", disse Araújo. O policial militar foi preso em 1995, dois anos depois do massacre. Na época, um grupo de PMs que já estava preso pelo crime gravou uma fita na qual denunciava a suposta participação de outros policiais na matança. Araújo e outros 20 policiais foram presos. Anos depois, a própria promotoria pediu que eles fossem inocentados, reconhecendo que as acusações não eram verídicas."Neste País, a gente tem que provar que é inocente", diz Araújo, que reclama da demora no julgamento da ação que ajuizou contra o Estado. "Eu nem sei se vou receber e quando isso vai acontecer. Mas, depois de ser comprovado que eu fiquei preso sendo inocente, a indenização deveria ter vindo logo depois que me soltaram."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.