Márcio Fernandes/Estadão
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É precipitado falar em responsabilidades, diz presidente da Vale

Executivos das mineradoras anunciaram a criação de um fundo para ajudar os desabrigados e a reconstrução da cidade de Mariana

Bruno Ribeiro, Enviado especial

11 Novembro 2015 | 13h36

Atualizado às 19h20

MARIANA (MG) - Os presidentes da Vale e da BHP Billiton, Murilo Ferreira e Andrew Mackenzie, respectivamente, se pronunciaram pela primeira vez após o rompimento das barragens de Mariana, em Minas Gerais, e anunciaram a criação de um fundo para ajudar os desabrigados e a reconstrução da cidade. 

As companhias são donas da Samarco, responsável pelas barragens que se romperam, destruíram o distrito de Bento Rodrigues e contaminaram a água de parte das cidades de Minas Gerais. Ferreira disse "seria precipitação" falar em responsabilidades sobre o acidente antes de a investigação prosseguir. 

O fundo, privado, seria alimentado pelas duas empresas para dar suporte a ações da Samarco, indicada como a única encarregada de lidar diretamente com as ações para mitigar todos os impactos do acidente. 

"Não acreditamos no sucesso de uma operação sem uma liderança única. A liderança aqui é da Samarco", disse Ferreira, ao destacar, junto com Mackenzie, que as empresas ficaram em segundo plano, ajudando a Samarco, que resolverá o problema. "Nunca liguei para o Ricardo (Vescovi, presidente da Samarco) para dar nenhuma orientação", disse Ferreira.

O valor dos aportes que as empresas farão ao fundo não foi divulgado. O presidente da Samarco disse que ainda não tinha nenhuma estimativa de valores dos danos causados. 

Questionado sobre a demora da maior exportadora do Brasil em vir a público comentar o acidente, Ferreira afirmou que "não precisava" demonstrar que estava agindo na resposta ao desastre, mas sim agir. Ferreira, no entanto, deixou de responder questionamento sobre afirmações de que as minas da Vale vizinhas à Samarco também usavam a represa de rejeitos que rompeu.

Andrew Mackenzie, presidente da BHP, disse por sua vez que "lamentava profundamente o acidente" e que o povo de Minas e do Brasil deveria ter certeza de que a empresa está comprometida a resolver o problema.               

Questionados na coletiva sobre o futuro das minas da Samarco em Mariana, os executivos disseram que os investimentos que as duas companhias fizeram na Samarco era de longo prazo e que a revisão disso, com uma eventual ruptura da retomada das operações, seria uma decisão que não seria tomada apenas por eles, mas sim com participação dos "poderes Executivo, Legislativo e Judiciário".  

Na coletiva, o presidente da Samarco confirmou que a terceira barragem da empresas em Mariana, a barragem de Germano, terá de passar por obras de reforço nas estruturas, mas descartou qualquer problema e descreveu a estrutura como "estável". "Temos monitorado a barragem com radares e até o momento não houve movimento", disse. Segundo a imprensa local, boatos de que a barragem estava com trincos e se rompendo, espalhados até por bombeiros, fizeram com que parte dos moradores do distrito de Paracatu, ao lado de Bento Rodrigues, área mais atingida pela lama, deixassem suas casas na manhã de terça.

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