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'É preciso parar de rotular', diz atriz

Mulher trans Lorena França, atriz, diz que é preciso mais tolerância e menos preconceito ao se falar sobre identidade de gênero

Isabela Palhares e Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

07 de março de 2016 | 20h44

"Nunca fui reprimida pelos meus pais, nunca ninguém me disse que brincar com bonecas ou andar com as meninas era certo ou errado. Sempre deixaram que eu fizesse o que me fazia bem.

Por isso, só comecei a sentir que era diferente na adolescência. Porque eu era um menino, mas era afeminado. Eu sentia atração por outros meninos, mas não era gay.

Foi quando mudei para São Paulo aos 25 anos que fiz a minha transformação. Ela aconteceu aos poucos. Comecei com as roupas, depois a maquiagem, cabelo, voz, trejeitos. Eu nunca precisei contar para ninguém sobre a minha transformação, todos, inclusive meus pais, acompanharam essa mudança.

Apesar de ter crescido em um ambiente bastante acolhedor, minha maior insegurança era a reação dos meus pais. O maior alívio que senti foi quando meu pai me viu vestida como mulher pela primeira vez. Ele me abraçou com os olhos, como se dissesse que me aceitava e me amava.

O apoio da família é mais importante e, no meu caso, eles entenderam que eu era a mesma pessoa de sempre.

Mas na rua a gente sofre muito. Ainda mais no começo da transformação, eu deixava de pegar metrô e ônibus nos horários de pico, não andava sozinha na rua. Mas hoje eu já me sinto mais segura, eu estou no meu melhor momento, estou muito contente com o meu corpo.

Hoje, o que eu mais queria é que as pessoas entendam que não é preciso ter uma vagina para ser mulher. As pessoas precisam parar de rotular. Eu já sou uma mulher, as pessoas que convivem comigo já me tratam da forma como eu quero, minha família já me enxerga como mulher."

Lorena da Cunha França, de 37 anos, é atriz e figurinista 

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