Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

'É sequestrar o direito do cidadão e cobrar resgate', diz governador do ES

Licenciado da gestão por causa de uma cirurgia de retira de tumor, Paulo Hartung classificou como 'chantagem' o movimento dos PMs no Estado

Marcio Dolzan, Enviado especial de O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2017 | 11h19
Atualizado 08 Fevereiro 2017 | 11h20

VITÓRIA - O governador licenciado do Espírito Santo, Paulo Hartung (sem partido), fez um apelo nesta quarta-feira, 8, aos policiais militares e classificou como "chantagem" o movimento que já dura cinco dias e levou o caos ao Estado. Segundo ele, o motim dos policiais "é o mesmo que sequestrar o direito do cidadão capixaba e cobrar resgate".

O governador licenciado afirmou ainda que, para atender a reivindicação dos policiais, o rombo nos cofres do Espírito Santo seria de R$ 500 milhões.

Hartung passou por um procedimento cirúrgico na última sexta-feira, 3, para a retirada de um tumor na bexiga. Ele foi ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para a realização de um exame de imagem, e os médicos decidiram operá-lo imediatamente. Segundo eles, o tumor estava em fase inicial.

O governador deverá ficar afastado das funções por mais duas semanas, mas nesta quarta-feira concedeu entrevista coletiva ao lado do governador em exercício, César Colnago (PSDB), e do secretário Estadual de Segurança Pública, André Garcia.

Hartung criticou duramente a paralisação e afirmou que "não podemos sucumbir à chantagem corporativa". Por duas vezes, ele declarou que o motim dos policiais militares é como um sequestro.

"Não pode pagar resgate nem pelo aspecto ético, nem por uma questão que é fundamental na vida dos brasileiros, que é a Lei de Responsabilidade Fiscal."

Ele disse ainda que, caso ceda, isso poderia se espalhar por outros Estados. De acordo com o governador licenciado, atender às reivindicações salariais dos policiais é inviável.

"Vocês sabem quanto custa esse aumento? Aplique esse porcentual que os políticos ontem se reuniram escondidos para pedir ao governo. Custa meio bilhão (de reais). Aonde vamos arranjar meio bilhão?", indagou.

Críticas. Hartung pediu "bom senso e equilíbrio" e criticou todos os envolvidos com a paralisação na Polícia Militar.

"Estão manchando a imagem de uma instituição mais que secular. São atitudes grotescas. Quero olhar no branco do olho desses policiais e pedir que respeitem essa instituição, respeitem nosso Estado do Espírito Santo, respeitem o cidadão capixaba. Quem paga essa conta é o cidadão capixaba."

O governador licenciado também insistiu que o motim é ilegal. "Esse movimento é um movimento ilegal, inconstitucional, e pior: o método adotado por algumas lideranças é um método que dá vergonha. É o método da chantagem."

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