''''É um sofrimento a mais'''', diz mãe

''''Vendo a TV foi um choque grande. Voltou tudo de novo''''

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2002 | 00h00

A dona de casa Aparecida Andrade e o comerciante Cláudio Frutuoso Andrade, pais do empresário Márcio Rogério Andrade, ficaram sabendo pela TV que tinham enterrado uma outra pessoa no lugar do filho. ''''Eles tentaram me poupar, mas acabei assistindo tudo pela TV. Você não imagina como me senti. É um sofrimento a mais; é uma faca que vão te enfiando, enfiando, enfiando devagar e você e não sabe quando isso vai parar'''', desabafou Aparecida.Segundo ela, o casal estava tentando conviver com a perda, mas o erro da troca de corpos reabriu uma ferida. ''''A gente vai fazendo tudo para amenizar a dor, mas vem outra coisa e continua o sofrimento'''', diz. ''''Vendo a TV foi um choque muito grande. Voltou tudo de novo.''''Em visível estado de emoção, Aparecida disse que pretendia dar um último adeus ao filho. ''''Eles pensaram certo em nos poupar, eu e meu marido, mas não deu certo. Vi pela TV. Eu queria estar lá, participando dessa cerimônia de novo funeral. Seria uma maneira de estar perto do meu filho de novo e dizer o quanto o amo.''''Aparecida concluiu: ''''Estamos tão arrasados que nem pensamos o que vamos - ou se vamos - fazer alguma coisa por conta desse erro. Tudo está muito dolorido ainda. Acredito que todo mundo está arrasado, o pessoal do IML, o governador está arrasado. As famílias estão mais ainda, mas as autoridades precisam tomar cuidado para que isso não aconteça de novo, pois é um sofrimento muito grande, é infinito.''''Para Claúdia Andrade, irmão de Márcio, que decidiu por desfazer a troca em sigilo, ''''houve no mínimo, uma negligência dos responsáveis pela entrega dos corpos das vítimas''''. Ela disse que, com a divulgação do erro, abre-se um precedente para se questionar se não houve outras trocas de corpos de outras vítimas. ''''Se tudo tivesse ocorrido em sigilo, isso não iria acontecer.''''

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