''É uma escola padrão'' da rede

Especialista diz que violência é abafada nos colégios

Daniel Gonzales, Fábio Mazzitelli e Vitor Sorano, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

Para o coordenador responsável pelas escolas estaduais da Grande São Paulo, José Benedito de Oliveira, a Escola Estadual Antonio Firmino de Proença é uma unidade "padrão" da rede estadual de ensino, que reúne cerca de 5 mil colégios no Estado. "A escola tem uma parceria com a Imprensa Oficial e, para nós, é uma escola padrão", afirmou. "É lamentável que tenha acontecido isso aqui, num colégio que tem história", disse.Oliveira se referia à parceria firmada com a Imprensa Oficial do Estado no fim de 2007, que viabilizou a reforma da biblioteca do colégio e a aquisição de livros impressos e lançados pela estatal. A Secretaria da Educação, porém, admitiu os problemas de violência locais. No início da tarde de ontem, o secretário Paulo Renato de Souza afirmou que "o tumulto teve origem na questão das drogas". "Mas isso (a ligação com o tráfico) cabe à polícia apurar."As dificuldades e conflitos próprios do ambiente das escolas públicas são destacados pelo educador Júlio Groppa Aquino, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e organizador do livro Drogas na Escola: Alternativas Teóricas e Práticas, como elementos que levam a surtos de violência. "Os alunos não se sentem acolhidos, as práticas pedagógicas são anacrônicas e os professores ainda trabalham com aquela ideia do aluno de classe média, que valoriza o estudo. A escola vive essa guerra surda, abafada", diz. Essa situação, que ele chama de "barril de pólvora", contribuiu para o conflito de ontem.DECISÃO ACERTADAJá para o coordenador da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Mário de Oliveira Filho, foi acertada a decisão da direção escolar de chamar a Polícia Militar para intervir. "Independentemente de idade, classe social ou local, estava ocorrendo um crime", defende Oliveira Filho. Para o especialista, os fatos acendem uma "luz vermelha" que mostra uma "total falta de política de combate às drogas" nas escolas. "Sobre esse assunto de drogas, nas escolas ou fora delas, não há ações, não existem dados, tudo é proibido, é segredo, é mistério. E ninguém resolve o problema."

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