Roberto Stuckert Filho/PR
Roberto Stuckert Filho/PR

''É uma página virada'', diz Dilma sobre mudanças

Presidente demonstra irritação ao ser questionada sobre a saída de Jobim e elogia Celso Amorim, 'um brasileiro muito dedicado'

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2011 | 00h00

Irritada com a crise ministerial, a presidente Dilma Rousseff disse ontem que a demissão de Nelson Jobim do Ministério da Defesa "é página virada". "Infelizmente, esgotamos uma etapa. Viramos uma página", afirmou, em entrevista a rádios de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), cidades separadas pelo Rio São Francisco.

Dilma disse que o ex-chanceler Celso Amorim dará continuidade ao trabalho na Defesa e acrescentará um "reforço especial". "O assunto é muito fácil de ser entendido pela população. O ministro Celso Amorim assume o Ministério da Defesa porque já deu mostras de que é um brasileiro muito dedicado ao Brasil."

A presidente fez referências ao período em que Amorim foi ministro de Relações Exteriores (2003-2010). "Ele é responsável por uma política externa independente e colocou o Brasil no mesmo patamar de qualquer país. O ministro Celso Amorim tem todas as condições de ser um ministro da Defesa e, por isso, o indiquei."

"Meu querido". Dilma demonstrou mal estar na entrevista. Ao ser questionada sobre o atraso nas obras de transposição do Rio São Francisco, soltou um bordão conhecido de seus assessores quando está irritada: "Meu querido, a transposição não está parada! Você vai me desculpar, mas não está parada". Depois, admitiu que "algumas parcelas" estão com obras interrompidas.

Outro momento de irritação ocorreu quando ela exaltava o programa Minha Casa, Minha Vida, que entregará hoje em Juazeiro 1.500 unidades. Quando Dilma falava dos imóveis, de 44 metros quadrados, um repórter usou o termo "casinhas". "Você é quem está dizendo. Imagino que sua casa seja grande", disse a presidente. "O povo brasileiro não tinha nem casinha. Morava em casa de papel, em palafita."

Depois, recorreu ao estilo do antecessor para destacar as ações habitacionais: "Não há nenhum outro momento na história desse país em que tínhamos tantos contratos (para construção de casas)".

No final, sobrou até para o ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional), que tem Petrolina como reduto eleitoral. Dilma reclamou que o ministro insistia para ela falar da terceira etapa da transposição, na qual está previsto um canal até Petrolina, mas ponderou que não é o momento de discutir essa fase da obra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.